"Como vou criar meu filho?", diz mulher grávida de PM desaparecido no Chapadão
Neandro desapareceu após uma falsa blitz nesta segunda-feira (12)
Rio de Janeiro|Do R7, com Balanço Geral RJ

A mulher do PM Neandro Santos de Oliveiralamenta o desaparecimento do policial e lamenta como será a criação do filho diante das circunstâncias. O policial teria sido vítima de uma falsa blitz no Chapadão, na rua Alcobaça, perto da via Light. O carro do agente foi encontrado na entrada da comunidade Final Feliz. Dentro do veículo, havia sangue e a identidade do policial.
— Eu não posso aceitar isso. Como eu vou criar meu filho? Não é pelo dinheiro, não é isso. O nosso amor é verdadeiro.
Cristina Custódio afirma que o marido não tinha inimigos e que era uma pessoa muito boa. O casal prestou junto o concurso para a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, mas Neandro foi convocado primeiro e atuava há dois anos no Batalhão do Recreio (31º BPM).
A mãe do PM, Ilma Oliveira, conta que foi a responsável por arrumar a mochila dele no dia do desaparecimento.
— Eu que arrumei a bolsa dele, a mochila. Toda vez que ele vinha, era eu quem cuidava das coisas dele. Quando ele me abraçou na cozinha eu senti um vazio muito grande.
Segundo a DH, quatro homens são suspeitos de envolvimento no desaparecimento do policial. Carlos Alberto Souza da Silva, que já tem mandado de prisão expedido anteriormente, e criminosos conhecidos como Rafinha, Daniel DN e De Gatinho seriam uns dos responsáveis.
A Polícia Civil já descartou a hipótese de que um dos três corpos encontrados no Complexo do Chapadão seja do PM. Segundo a DH, o corpo tinha um pino cirúrgico e a família informou que Neandro não tinha. Agora, resta a realização da perícia em outro corpo e também nos restos mortais encontrados no alto do morro.
O carro de Neandro também tem muitas marcas de tiros e a parte da frente está amassada, o que indica que ele se chocou contra algo. Os dois air-bags do veículo foram acionados.
Assista ao vídeo:
Morte em operação
O jovem Maique da Silva de Souza, de 22 anos, morreu dentro da comunidade nesta quarta (14) durante operação do 41º BPM para localizar Neandro. Segundo a Polícia Civil, foi instaurado inquérito para apurar a morte. As armas dos PMs que estiveram em operação foram apreendidas.
Ainda de acordo com a Delegacia de Homicídios, a perícia no local da morte foi realizada e o corpo de Maique já está no IML. Testemunhas prestaram depoimento, assim como os PMs envolvidos na operação. Policiais civis também buscam testemunhas e informações para auxiliar na resolução do caso.
Três ônibus foram incendiados perto do Gogó da Ema após a morte de Maique. Segundo moradores, o rapaz foi baleado dentro de uma padaria na região. Segundo o comando do 41º BPM, o jovem foi baleado na comunidade Criança Esperança. O policiamento foi reforçado e, segundo o batalhão da PM, depredações acontecem em pontos isolados da região.
Por conta da operação, alunos ficaram sem aula durante o dia. A Secretaria de Estado de Educação informou que o Ciep 379 - Raul Seixas, em Costa Barros, e o Ciep 418 - Antônio Carlos Bernardes Mussum, em Ricardo de Albuquerque, tiveram de suspender suas atividades. Há cerca de 300 alunos nos turnos da manhã e da tarde. A secretaria afirma que "a direção da unidade escolar tem autonomia para tomar providências no sentido de garantir a integridade física e moral de seus alunos, professores e funcionários". Na rede municipal de educação, cinco escolas e dois EDIs (Espaço de Desenvolvimento Infantil) estão sem atendimento e 1.979 alunos ficaram sem aulas no turno da tarde.















