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Copa: Rio tem prisão de cambistas, “invasão” argentina e falhas no Maracanã

Estrangeiros transformaram a cidade na capital do mundial

Rio de Janeiro|Do R7

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Copacabana foi tomada por argentinos na final da Copa
Copacabana foi tomada por argentinos na final da Copa

Apaixonados por futebol ou não, boa parte dos cariocas se envolveu com a Copa do Mundo. Com milhares de turistas, o Rio se consagrou a capital do Mundial. Os argentinos, que chegaram à final contra a Alemanha, invadiram a cidade. A operação policial que desmantelou uma quadrilha de cambistas e as falhas de segurança do Maracanã também marcaram a Copa no Rio.

A praia de Copacabana, palco da principal festa dos torcedores — a Fifa Fan Fest —, se transformou em um grande acampamento de turistas. Mais de 800 mil torcedores passaram pela arena da Fifa nas areias de Copacabana.


Apesar da diversão, muita gente reclamou dos preços no local. Alexandre Marques, que levou a mulher e a filha para curtir dois jogos na arena, criticou os preços.

— Demos conta do recado. Para mim, tudo funcionou. Vim de transporte público de Campo Grande, na zona oeste do Rio. Mas o que não foi legal foram os preços aqui da arena [Fifa Fan Fest]. Cerveja cara e comida também, melhor trazer de casa.


Turistas de diferentes nacionalidades que chegaram à cidade de ônibus, carro, vans e trailers, também aproveitaram a orla para estacionar os veículos. Para evitar transtornos no trânsito, a Prefeitura do Rio cedeu o Terreirão do Samba, no centro, para estacionar trailers.

Na véspera do primeiro jogo da Argentina na Copa, realizado no Maracanã em 15 de junho, cerca de 1.500 hermanos invadiram a avenida Atlântica, em Copacabana, e a PM acabou usando gás lacrimogêneo para dispersar os torcedores. Após a seleção ser classificada para a final, no domingo passado (13), os argentinos voltaram a invadir a capital. De acordo com a Riotur, cerca de 70 mil estiveram na cidade para a final do evento.


Outra invasão que marcou o mundial no Rio de Janeiro foi a dos chilenos no Maracanã, no dia 18 de junho. Segundo a Polícia Federal, 85 torcedores do Chile foram detidos na ocasião. Após o episódio, o governo do Rio reforçou a segurança no estádio e, de acordo com a Seseg (Secretaria Estadual de Segurança), a final do Mundial teve o maior número de agentes já empregados na cidade. Ao todo, 25.787 homens atuaram na final do evento. Foi estipulado um prazo para que os chilenos deixassem o País.

Protestos


O Rio de Janeiro também teve manifestações contra a Copa. Na final, manifestantes que pretendiam seguir até o Maracanã foram cercados pela polícia na praça Saens Peña, na Tijuca, zona norte. Houve confronto e feridos. No dia anterior, 17 ativistas foram detidos e levados para o Complexo de Gericinó por suspeita de participar de atos de vandalismo, entre eles, Elisa Quadros, a Sininho. As prisões receberam críticas da Anistia Internacional.

Durante a Copa, a Polícia Civil do Rio desarticulou uma quadrilha que vendia ingressos irregularmente. De acordo com a investigação, a quadrilha era liderada pelo franco-argelino Lamine Fofana, preso em 1º de julho com mais dez suspeitos de integrar o esquema. Raymond Whelan, funcionário da empresa Match, empresa ligada à Fifa que era responsável pela venda de pacotes para a Copa do Mundo, também foi preso como um dos integrantes da quadrilha.

De acordo com a polícia, Whelan teria recebido mais de 900 ligações de Fofana nos últimos meses. Whelan foi detido no dia 7 de julho e liberado após pagar fiança. Dias depois, o executivo saiu do hotel Copacabana Palace, onde estava hospedado, acompanhado do advogado. Nesta segunda-feira (14), Whelan se entregou à desembargadora que havia concedido o habeas corpus que o liberou da prisão na semana anterior.

Turistas reclamam do transporte

Apesar do clima de festa, o sistema de transportes do Rio chegou a receber críticas de muitos turistas e de moradores nos dias de jogo. O feriado de meio período decretado pela prefeitura no primeiro jogo realizado no Maracanã em dia de semana, entre Espanha e Chile, antecipou o rush da tarde, o que ocasionou uma superlotação do metrô, já que torcedores se misturaram a trabalhadores que voltaram para casa mais cedo.

Tainá Carvalho e o namorado alemão Manuel Eller, que assistiram ao confronto entre Alemanha x França no Maracanã, criticaram o trajeto de metrô até o estádio, mas aprovaram as instalações da arena que foi reformada.

— Para chegar ao estádio, tivemos que pegar metrô lotado e o ar-condicionado não estava funcionando bem. Isso não foi legal! Mas, quando chegamos lá, deu tudo certo, amamos a estrutura e a reforma do Maracanã.

O Metrô Rio informou que o serviço levou mais de 70% do público que foi ao Maracanã em dias de jogos e que operou com a frota máxima em intervalos de quatro minutos entre as composições. Segundo a assessoria, não há como não ter superlotação em um evento como esse.

O sistema de ônibus e as obras na cidade também atrapalharam o deslocamento dos turistas pelo Rio. O alemão Van Hurt, que veio assistir ao mundial com amigos, se disse apaixonado pelo País. Ele elogiou a hospitalidade do carioca, mas reclamou do transporte na zona sul.

— O que eu vou mais sentir falta do Brasil é do calor da gente daqui, dessa praia. Mas a cidade não pode ter um trânsito que não anda. Devia ter mais opções de transporte público. Tem ponto de ônibus, mas eles precisam passar mais à noite. Estou hospedado em Ipanema, mas longe do metrô, e não tem muita opção de ônibus para a Lapa.

Pela segunda vez no País, o inglês Simon Holtz, de 20 anos, disse que, desde sua última visita ao Rio, há um ano e meio, o trânsito de carros só piorou com algumas obras que encontrou pela cidade.

— Eu acho essa visão de praia, sol e mar um paraíso. Mas vocês brasileiros têm que exigir mais de seus governantes e ter uma política para que as obras não parem a cidade. Demorei quase duas horas em um ônibus para sair da zona sul e chegar à Lapa... Muito tempo!

Procurada pelo R7, a Secretaria de Transportes disse que não ia se manifestar antes do término do Mundial.

Mesmo com os transtornos, a Copa do Mundo deixou dois legados para o transporte carioca. O primeiro foi o BRT Transcarioca, que liga a Barra da Tijuca, na zona oeste, ao Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, o Galeão, na zona norte. Também foi inaugurada a estação intermodal do Maracanã, que tem três plataformas de trens da SuperVia — atende aos ramais Belford Roxo, Saracuruna, Santa Cruz, Japeri e Deodoro — e duas de metrô.

O entorno do estádio do Maracanã passou por reforma. Segundo a prefeitura, a região se transformou em área de lazer, com pista de skate e nova passarela que liga a Quinta da Boa Vista ao estádio.

Preço turista

Outra crítica dos turistas foi quanto ao preço diferenciado cobrado por comerciantes. Alguns locais chegavam a cobrar o dobro do valor da mercadoria para turistas. Na orla de Copacabana, uma caipirinha variava de R$ 6 a R$ 22,50. O argentino Juan Diego apontou a prática em alguns restaurantes.

— Aonde a gente chegava eles diziam: 'Pra argentino é mais caro'. Pegamos o cardápio e, se o preço não era igual, deixávamos o restaurante.

O diretor de fiscalização do Procon Estadual, Fábio Domingos, criticou a ação de estabelecimentos que praticavam o “preço turista” e disse que o órgão fez operações para coibir essas práticas.

— Algumas pessoas se aproveitaram do evento e tentaram tirar proveito. Onde a gente identificou esse problema, nós autuamos. A gente recebeu denúncias e fomos lá para coibir.

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