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Crise hídrica do RJ seria evitada com planejamento, dizem especialistas

Gestão do rio Paraíba do Sul é compartilhada; especialistas propõem soluções

Rio de Janeiro|Bruna Oliveira, do R7

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Após o reservatório de Paraibuna, uma das represas que abastecem o rio Paraíba do Sul, principal fonte de água do Estado do Rio de Janeiro, atingir o volume morto nesta semana, o secretário estadual do Ambiente, André Correa, afirmou que o Sudeste vive a maior crise hídrica da história. Entretanto, segundo especialistas ouvidos pelo R7, a situação poderia ter sido evitada com uma gestão mais eficiente do rio Paraíba do Sul. Eles foram unânimes em afirmar que faltou entendimento entre os responsáveis por operarem os reservatórios — ONS (Operador Nacional do Sistema), ANA (Agência Nacional de Águas) e os governos estaduais de Rio de Janeiro e São Paulo.

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De acordo com Marilene Ramos, do Centro de Regulação e Infraestrutura da FGV (Fundação Getulio Vargas) e ex-presidente do Inea (Instituto Estadual do Ambiente), não era difícil prever uma redução dos níveis dos reservatórios no ano passado. Porém, o período eleitoral levou os gestores a tratarem o cenário com otimismo.

— No ano passado, já tivemos um verão seco. Mas os gestores apostaram que, este ano, teríamos um volume maior de chuvas e os reservatórios se conservariam. No entanto, este verão está sendo mais seco do que o anterior. Por isso, os reservatórios estão mais baixos.


Para o professor da Faculdade de Oceanografia da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), David Zee, faltaram planejamento e estudos estratégicos para evitar a crise hídrica. Uma série de características ambientais deveriam ter sido levadas em conta, com o objetivo de conservar mais água nos reservatórios.

— Esta bacia já tem uma característica de pouca retenção de água. Com um volume grande de água no rio Paraíba do Sul, se perde muito da água que infiltra no solo ou vai para o mar. Por conta da pouca cobertura vegetal, boa parte também evapora. O ideal é que fosse feito um controle maior da vazão do rio por meio das barragens.


Paulo Carneiro, pesquisador do Laboratório de Hidrologia da Coppe/UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), explica que outro problema é o fato de a bacia ser usada para abastecimento de água e geração de energia.

— Precisamos chegar a um consenso de qual é a prioridade. A energia que é gerada com as hidrelétricas é menor do que 1% do total do Sistema Nacional Interligado. Mais água poderia ter sido estocada nos reservatórios, se o setor elétrico não fosse mais um usuário. Esta é uma discussão que precisa ser retomada agora.

Uso do volume morto

Paulo Carneiro não se opõe à utilização do volume morto do reservatório de Paraibuna, mas lembra que ele precisa ser usado de forma controlada, pois, quanto mais baixo ficar o nível, mais difícil será para ele voltar a operar normalmente.

— A medida agora é dizer como será a utilização, as regra para o uso dos volumes mortos e como isso está sendo pensado a médio prazo.

Marilene Ramos lembra que o volume morto deve garantir o abastecimento até o final de 2015. Porém, se for mal utilizado, pode durar ainda menos, cerca de seis meses.

— O que não se pode mais é perder tempo. Agora, é o momento de o governo promover ações para diminuior o consumo de água, limitar o uso na agricultura e reduzir a vazão do Paraíba do Sul.

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