Delegado do caso Henry Borel relata ao júri ‘farsa ensaiada’ dos réus
Responsável pela investigação, Henrique Damasceno foi a primeira testemunha a prestar depoimento
Rio de Janeiro|Do R7

Nesta terça-feira (26), o segundo dia do júri popular do caso Henry Borel deu início à fase de oitivas das testemunhas. O primeiro a falar foi o delegado da Polícia Civil Henrique Damasceno, responsável pela investigação, que relatou a “farsa ensaiada” dos réus em depoimentos após a morte da criança.
Henry Borel, de 4 anos, morreu no dia 8 de março de 2021. O menino foi levado desacordado ao hospital pela mãe, Monique Medeiros, e o padrasto, Jairo Souza Santos Junior, mais conhecido como Jairinho. O ex-casal responde pelo crime de homicídio após a perícia apontar 23 lesões no corpo da vítima.
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Ex-titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), Damasceno contou que o caso chegou à polícia como acidente doméstico. Quando soube do ocorrido, o delegado solicitou uma perícia de local e, na sequência, constatou as lesões no corpo da criança.
Segundo o delegado, na época, Monique deu um depoimento contando que Henry foi deixado pelo pai, por volta das 19h, no apartamento onde a criança vivia com a mãe e o padrasto.
A mãe também relatou que o menino tinha o costume de vomitar quando ficava nervoso porque não queria voltar para casa. Ela disse que, após buscar o filho na entrada do prédio, encontrou Jairo no elevador e que o filho não tinha nenhum machucado.
Henrique Damasceno ouviu da mãe da criança que, depois de algumas horas, ela acordou, gritou por Jairinho e viu o menino desmaiado. Monique afirmou ter socorrido a criança com Jairinho para o hospital.
No caso do depoimento de Jairinho, o delegado afirmou que o padrasto narrou não ter feito nenhuma manobra de socorro no enteado porque não tinha experiência, apesar de ser formado em medicina. Jairo afirmou também que se dava muito bem com a criança.
Para o delegado, as versões apresentadas pelos dois na delegacia eram compatíveis. Porém, as investigações deram indícios de um crime.
Provas no celular da babá
O delegado Henrique Damasceno afirmou que as provas do celular da babá da criança mostraram os avisos de agressões sofridas por Henry. As mensagens foram encontradas em conversas de Thainá de Oliveira com Monique, o próprio namorado e o pai dela.
Damasceno citou que algumas conversas foram apagadas do celular da Monique, mas puderam ser recuperadas por meio de um programa de computador usado pela Polícia Civil.
Defesa treinou depoimentos
O delegado relembrou ainda os laudos produzidos pelo hospital e a estratégia da defesa em treinar Monique, Jairinho, a babá e a avó para prestarem depoimentos à polícia.
Para o delegado, os resultados dos exames no corpo da vítima mostravam que os ferimentos não condiziam com uma queda da cama — como chegou a ser alegado pelo casal.
Damasceno disse que a equipe de policiais teve todo o cuidado para mostrar o que aconteceu e avaliou o caso como uma investigação difícil. Também falou que as lesões da vítima foram seríssimas a ponto de matá-lo.
No decorrer das apurações, Henrique Damasceno afirmou que a polícia conseguiu provar que era uma farsa ensaiada a versão inicial apresentada por Monique e Jairo.
O delegado também disse que Monique sabia que o filho apanhava do padrasto e, mesmo assim, falou em depoimento, que durou 6 horas, que Jairinho era carinhoso com a criança e que o relacionamento deles era maravilhoso.
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