Dois ativistas são soltos após uma semana detidos e 18 são considerados foragidos no Rio
Ativistas ganharam a liberdade após serem beneficiados por habeas corpus
Rio de Janeiro|Do R7
Dois ativistas presos na véspera da final da Copa ganharam a liberdade após a Justiça do Rio aceitar habeas corpus contra prisão temporária, que havia sido prorrogada nesta semana após pedido da Polícia Civil do Rio. Entretanto, os outros três ativistas, entre eles Elisa Quadros, a Sininho, que também haviam sido beneficiados pela mesma decisão do desembargador Siro Darlan permanecem presos após decretação de prisão preventiva na tarde de sexta-feira (18).
Na sexta, o juiz da 27ª Vara Criminal, Flávio Itabaiana, decretou a prisão preventiva de 23 ativistas. Como cinco deles já estavam presos — os três ativistas detidos na véspera da final e os dois suspeitos de envolvimento na morte do cinegrafista Santiago Andrade, em fevereiro passado, Fábio Raposo Barbosa e Caio Silva Rangel —, a Polícia Civil tentou cumprir neste sábado os mandados de prisão contra 18 ativistas. Eles não foram localizados e, até a publicação desta reportagem, eram considerados foragidos.
Segundo a Seap (Secretaria de Administração Penitenciária), foram soltos Tiago Teixeira Neves da Rocha e Eduarda Oliveira Castro de Souza — eles não foram denunciados pelo Ministério Público do Rio por associação criminosa armada. Sininho, Camila Aparecida Rodrigues Jourdan e Igor Pereira D' Icarahy continuam detidos.
A Promotoria denunciou na sexta 23 pessoas por associação criminosa armada em decorrência de atos violentos em protestos no Rio de Janeiro e a Justiça aceitou a denúncia. O juiz Flávio Itabaiana afirmou, em sua decisão, que "a periculosidade dos acusados põe em risco a ordem pública".
A ONG Justiça Global encaminhou para o Ministério da Justiça, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e o Conselho Nacional de Direitos Humanos ofícios cobrando providências em relação às "prisões políticas" ocorridas no Rio.
"A prisão arbitrária de manifestantes e de defensores de diretos humanos que atuam através dos movimentos sociais e de organizações políticas representa uma violação à defesa e garantia dos direitos. O que apontamos, portanto, é que este inquérito visa tão só a desmobilização, deslegitimação, intimidação e criminalização de defensores de direitos humanos, representando grave violação por parte do estado do Rio de Janeiro, principalmente ao tratá-los enquanto associação criminosa", diz o texto enviado.















