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“Eles podem derrubar a casa, mas não podem me derrubar”, diz Maria da Penha após ser despejada

Declaração foi feita em entrevista divulgada pela ONG Justiça Global

Rio de Janeiro|Do R7

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Demolição da casa de moradora aconteceu horas antes de ela receber a medalha Mulher Cidadã da Alerj
Demolição da casa de moradora aconteceu horas antes de ela receber a medalha Mulher Cidadã da Alerj

A líder comunitária da Vila Autódromo Maria da Penha, que teve a casa demolida nesta terça-feira (8), está alojada na igreja da comunidade e afirma que vai cobrar outra casa da Prefeitura. Por coincidência, a demolição ocorreu no Dia Internacional da Mulher e Maria da Penha é uma das principais lideranças femininas e símbolo da resistência local. 

Em um vídeo publicado em uma rede social pela ONG de proteção de direitos humanos Justiça Global, Maria da Penha conta que vai permanecer na comunidade.


— Eles podem derrubar a casa, mas não podem me derrubar. Eu continuo firme na luta. Vou permanecer nessa comunidade. Eu sempre disse que queria ficar dentro da comunidade porque era um direito meu. Eu sabia que chegaria a hora que essa casa seria derrubada. Espero que o prefeito respeite isso. A gente tinha tentado negociar um tempo para eu retirar minhas coisas.

A casa de Penha estava entre as quatro residências que devem ser demolidas pela prefeitura, porque fazem parte de um decreto de desapropriação. A poucos meses das Olimpíadas, cerca de 50 famílias ainda resistem na Vila e pedem que o prefeito Eduardo Paes cumpra promessas de urbanização da comunidade.


A prefeitura do Rio de Janeiro apresentou nesta terça-feira (8), depois da demolição, um projeto para urbanizar a Vila Autódromo, que fica numa área próxima ao Parque Olímpico, coração dos Jogos de 2016, depois de cumprir uma decisão judicial para demolição de imóvel.

A obra, que segundo o prefeito Eduardo Paes será iniciada nos próximos dias, tem previsão de investimentos de R$ 3 milhões a R$ 3,5 milhões e prazo de duração de até três meses. O projeto prevê a construção de 32 casas, urbanização, vias e construção de escolas no terreno contíguo ao Parque Olímpico e alvo de polêmica e disputas judiciais.


A demolição da casa de Maria da Penha aconteceu horas antes de ela receber a medalha Mulher Cidadã da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro), ao de outras nove mulheres de destaque. Para a moradora, o Dia Internacional das Mulheres ficou marcado para ela como o dia em que foi despejada.

— Por causa de um mega evento, eles tiram sua casa e te deixam na rua. Eu vou tentar encaixar minha mudança dentro da igreja. Eu vou ficar lá até ver o que a prefeitura vai fazer. O que eu espero é que eles me deem outra moradia. Infelizmente, esse Dia da Mulher vai ficar marcado como o dia em que fui despejada, mas a vida continua. 


Em entrevista a Rede Record, Penha também afirma que a medalha recebida pela Alerj vai fortalecer sua luta.

Assista ao vídeo:

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