Em crise, UERJ tem bandejão ocupado e professores em greve
Nesta terça (3), estudantes fazem ato contra precarização da Universidade
Rio de Janeiro|Do R7*

Fechado há quase um ano, o restaurante universitário da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) voltou a atender os alunos nesta segunda-feira (2). A refeição foi produzida com alimentos doados e preparada pelos próprios alunos, que há uma semana ocuparam o espaço.
A decisão de ocupar partiu de uma decisão coletiva, contam os estudantes. A intenção era pressionar a reitoria pelo retorno do serviço. Deu certo, um dia após a ocupação, a administração anunciou a abertura de processo licitatório para contratação de uma nova empresa. Porém mesmo com o anúncio, os estudantes dizem que a ocupação continua.
— A UERJ é uma das universidades mais populares do Rio. O aluno às vezes tem aula o dia todo, se for comer do lado de fora é R$ 15, R$ 20. O estudante já está sem bolsa, desse jeito fica inviável estudar. A gente só sai daqui quando essa empresa vier. Enquanto estiver no papel [licitação] são só promessas — declarou Bruno Correia, aluno do 3º período do curso de História.
Além da reabertura do restaurante universitário, os estudantes cobram uma reunião com a reitoria da Universidade, que deve acontecer já na próxima quinta-feira (5). Eles querem pressionar a administração para a realização de uma audiência pública com toda a comunidade acadêmica.
Com repasses irregulares, a UERJ enfrenta a pior crise de sua história. Nos últimos cinco anos a falta de pagamentos que estavam previstos no orçamento alcançou os R$ 800 milhões. Somente em 2016, R$ 300 milhões deixaram de ser repassados. Os dados são da Comissão de Educação da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio). Para o presidente da Comissão, deputado Comte Bittencourt (PPS), a ausência dos recursos tem afetado a mínima capacidade da universidade funcionar.
Comissão quer orçamento realista para universidades em 2018
Na semana passada, funcionários da limpeza anunciaram que entrariam em greve, devido aos atrasos no pagamento. Porém, no dia seguinte, a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento Social iniciou a negociação com os trabalhadores para o depósito do pagamento de agosto. Ainda assim, o funcionamento de outros setores continua em risco como a segurança, que também está com o pagamento em atraso.
Técnicos administrativos, professores e alunos também estão com bolsas e salários atrasados. A categoria técnico-administrativa da instituição está em greve e os professores também votaram pela paralisação, que começa a valer a partir desta terça-feira (3). O calendário de pagamento das bolsas estudantis está seguindo a data de pagamento dos servidores públicos. Ou seja, o último depósito foi realizado foi em agosto.
Na tarde desta terça, um ato foi marcado no campus do Maracanã, zona norte do Rio. O protesto em favor da "UERJ pública e gratuita" expõem também uma das maiores preocupações da comunidade acadêmica: a privatização da universidade. Apesar da possibilidade ser negada pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento Social, os estudantes trazem o tema como uma das principais reivindicações do movimento.
Professores em greve
Sem previsão para o pagamento dos salários de agosto, os professores da UERJ decidiram pela greve da categoria a partir desta terça-feira (3). Porém, uma nova assembleia será realizada nesta quarta (4) e poderá decidir pela continuidade ou fim da paralisação.
O calendário prioritário de pagamento do Governo do Estado foi um dos motivos que levou a categoria a decidir pela greve, segundo a Asduerj (Associação dos docentes da UERJ). Em nota o órgão afirmou que o executivo está "quebrando a isonomia entre as categorias de servidores públicos", ao manter "Os trabalhadores das universidades no fim da fila de prioridades, junto a aposentados, pensionistas e outros órgãos de pesquisa".
A Asduerj também ressaltou que a universidade permanece sem recursos para custeio e as bolsas continuam atrasadas, "apesar do governo ter anunciado o retorno à normalidade após a assinatura do acordo de refinanciamento da dívida, nada mudou e o cenário do primeiro semestre de 2017 se repete".
Jaqueline Suarez, estagiária do R7 Rio















