Em discurso na favela, papa critica corrupção e destaca poder dos jovens: "não se acostumem ao mal"
Pontífice foi recebido por milhares de pessoas na manhã desta quinta-feira (25)
Rio de Janeiro|Do R7

O aguardado discurso do papa Francisco durante visita à comunidade de Varginha, zona norte do Rio, na manhã desta quinta-feira (25), se desenhou como um recado direto ao poder público. O pontífice destacou a força que, segundo ele, apenas os jovens têm para colocar o mundo em um caminho com menos desigualdades sociais. O religioso falou em corrupção e pediu que a juventude não se “acostume ao mal”.
— Aqui, como em todo o Brasil, há muitos jovens. Vocês possuem a sensibilidade especial frente às injustiças. Mas, muitas vezes, se desiludem por causada das notícias de corrupção, de pessoas que, em vez de buscar um bem comum, se preocupam com seu próprio benefício. Não deixem que se apague a esperança. A realidade pode mudar. Procurem ser vocês os primeiros a praticar o bem, a não se acostumarem com o mal. O papa está com vocês.
O discurso do papa contra a corrupção vem num momento delicado para o Brasil. Ao longo dos dois últimos meses, manifestações vêm tomando o País para reivindicar mudanças, que passam, sobretudo, pela necessidade de mais investimentos em saúde e educação. Na segunda-feira (22), dia em que o papa chegou ao Rio, um protesto terminou em quebra-quebra nas imediações do Palácio Guanabara, em Laranjeiras, onde o religioso foi recepcionado pelo governado Sérgio Cabral, a presidente Dilma Rousseff e outras autoridades do Brasil.
Manifestantes, que pediam a saída de Cabral do poder, queimaram um boneco do governador e criticaram também a atuação da Polícia Militar em eventos públicos e operações em comunidades.
— Quero encorajar os esforços que a sociedade brasileira tem feito para integrar todas as partes do seu corpo, incluindo as mais sofridas e necessitadas, através do combate à fome e à miséria. Nenhum esforço de pacificação é duradouro, não haverá harmonia e felicidade para uma sociedade que deixa à margem, que abandona na periferia parte de si mesma. Ninguém poder ser invisível, ninguém pode ser descartável. É necessário dar o pão a quem tem fome. E não só fome de comida, mas fome de felicidade.
Cheio de sorrisos, o papa, como tem sido praxe, usou características do povo e linguajar brasileiro para brincar com a multidão que acompanha o discurso. Ele disse que gostaria de sentar, bater um papo e tomar um cafezinho com cada brasileiro. Durante a visita à comunidade, o religioso escolheu uma casa para visitar. Ele ficou na residência por cerca de cinco minutos.
— O Brasil é muito grande. Não é possível bater em todas as portas, ouvir o coração de cada um, tomar um copo de água fresca, um cafezinho. Não um copo de cachaça.















