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Em meio a aumento da passagem, passageiros reclamam de abandono nos trens do Rio

Bancos sem estofados, janelas quebradas e estações sem acessibilidade são problemas enfrentados pelos usuários; SuperVia cita dificuldade financeira e vandalismo

Rio de Janeiro|Raphael Lacerda*, do R7

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Estofados estão entre os itens mais vandalizados nos trens do Rio, cita a concessionária Raphael Lacerda/R7

Em meio às reclamações dos passageiros sobre o abandono do sistema ferroviário do Rio de Janeiro, a passagem dos trens subiu de R$ 7,10 para R$ 7,60 no fim de semana.

Ao lado de uma porta quebrada e sem os visores de proteção em um dos vagões, o pedreiro Jonas Pereira, usuário do ramal Gramacho, contou que depende do transporte diariamente para chegar ao trabalho.

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Para ele, apesar de o trem ser o modal mais rápido de locomoção, o serviço prestado não condiz com o valor da tarifa.

“A gente sai de casa sem saber se vai voltar. Só Deus mesmo. Isso aqui (janela quebrada) é um perigo para todo mundo — um idoso, uma criança. Eles deveriam olhar mais para a gente. A passagem aumenta cada dia mais. Eles tinham que abaixar. Não existe isso, daqui a pouco a tarifa vai estar R$ 10,00, e o povo vai trabalhar só para pagar passagem”, desabafou.

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Segundo a SuperVia, o reajuste é baseado no contrato de concessão firmado com o governo do estado e no IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado), que mede a inflação. Passageiros cadastrados na tarifa social continuam a pagar o valor de R$ 5,00.

Vidros de proteção das portas se tornaram alvo de vândalos Raphael Lacerda/R7

Os vidros de proteção, as portas e até o estofado dos assentos se tornaram alvos frequentes de vândalos e ladrões. Em julho do ano passado, o R7 já havia mostrado o aumento no furto de forros dos bancos dos trens. À época, a prática rendeu um prejuízo de R$ 317 mil aos cofres da SuperVia num período de pouco mais de um ano.

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Cartaz com campanha de conscientização foi fixado acima de dois bancos vandalizados Raphael Lacerda/R7

O material é composto por policarbonato, uma espécie de plástico que possui valor de comercialização. Na tentativa de inibir o crime, a empresa decidiu trocar os estofados por chapas de acrílico e lançou uma campanha de conscientização para pedir que passageiros denunciem atos de vandalismo.

No entanto, a manutenção não é feita de forma rápida, e muitas composições ainda são flagradas com os bancos danificados. De acordo com os passageiros, além da falta de conforto, os assentos sem estofados acumulam sujeira.

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Sentada em um dos bancos sem forro, a comerciante Flavia Almeida descreveu um pouco da rotina que enfrenta todos os dias:

“Tem muito atraso. Como dá para ver, alguns bancos estão quebrados, portas não funcionam. O valor também é muito caro, né? E não tem muito investimento”, comentou Flavia.

Passageiro flagrou trem em circulação com para-brisa danificado no mês passado Imagem cedida ao R7

No trecho entre Gramacho e Central do Brasil, passageiros denunciaram que as escadas rolantes das estações de Duque de Caxias, Maracanã e São Cristóvão estão inoperantes.

A acessibilidade para portadores de necessidades especiais é outro problema nos trilhos fluminenses. Para se ter uma ideia, apenas quatro das 19 estações do ramal Belford Roxo são adaptadas para PCDs.

Em 2022, a concessionária chegou a assinar um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o Ministério Público do Rio para garantir a implantação da acessibilidade em todas as estações da malha ferroviária.

No entanto, uma decisão da 6ª Vara Empresarial de Justiça do Rio de Janeiro em agosto do ano passado suspendeu a obrigatoriedade do cumprimento do acordo devido à crise financeira enfrentada pela empresa.

A SuperVia já havia anunciado em abril de 2023 que iria entregar a operação do sistema de trens sob a alegação de desequilíbrio financeiro. Em novembro de 2024, a empresa e o governo do estado firmaram um acordo de transição para que uma nova concessionária assuma o serviço. A expectativa é que a mudança ocorra ainda em 2025.

O que diz a SuperVia

A SuperVia informou, por meio de nota, que uma decisão judicial suspendeu a exigência da realização de obras e reformas em trens e estações por causa das “enormes dificuldades financeiras” da concessionária.

Sobre as escadas rolantes e a acessibilidade nas estações de São Cristóvão e Maracanã, a empresa afirmou que “agentes estão preparados para auxiliar os passageiros com limitações de mobilidade e com deficiência que utilizam o serviço”.

Questionada sobre o furto de estofados, a SuperVia informou que “as janelas e os assentos estão entre os itens mais vandalizados nos trens”. Diz ainda que, entre janeiro e outubro de 2024, foram registrados 5.016 casos de danificação em visores de porta e 1.093 casos de assentos destruídos.

Por fim, a empresa afirmou estar comprometida em combater os atos por meio de projetos, como a instalação de “kits antivandalismo”, e da conscientização da importância da preservação do sistema ferroviário.

*Sob supervisão de Bruna Oliveira

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