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Estudante de medicina vai à polícia após ser alvo de racismo em rede social

Jovem negro fez postagem incentivando vestibulandos

Rio de Janeiro|Do R7

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Estudante prometeu para a mãe que cursaria medicina
Estudante prometeu para a mãe que cursaria medicina

O estudante Diogo Medeiros, de 24 anos, passou para o vestibular de medicina na Universidade de Buenos Aires, na Argentina. O morador de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, desde pequeno tem o sonho de ser médico. A vontade se tornou ainda maior quando a mãe teve um AVC. Medeiros precisou se virar para unir o estudo ao trabalho e o cuidado com o ente querido. O jovem, que foi aluno de escolas públicas, ao ver a parente em coma fez uma promessa: ia cursar medicina.

Após a morte da mãe, ele estudou três anos em cursinhos e ficou mais quatro tentando passar para o vestibular em universidades do Rio. Medeiros quase desistiu, mas foi ajudado por uma amiga que o informou sobre a oportunidade de estudar na Argentina.


Em todos esses anos de esforço, ele nunca recebeu uma mensagem de apoio. Assim, decidiu incentivar os colegas que vão fazer o Enem com a sua história, publicando-a na página do Facebook Vestibulando de Medicina, na última terça-feira (13). A postagem dizia: “Não importa quem você é, apenas tenha a certeza que você pode ser quem deseja. Basta acreditar em seu potencial”, como revelado pelo O Dia.

No entanto, ao em vez de obrigada, o estudante recebeu mensagens racistas, como “Um negro? Peraí que eu vou lá buscar a chibata!” ou “ué, não sabia que negro podia ser médico, quem se arriscaria em uma consulta?”. Segundo Medeiros, alguns dos envolvidos fingem ser outras pessoas nas redes sociais.


— Foram mais ou menos oito pessoas, metade usavam perfis falsos. Outros membros da página até fizeram comentários me apoiando, mas também foram atacados.

Estudante pretende denunciar envolvidos


O jovem já foi até a faculdade levar os documentos e começa as aulas em janeiro, mas voltou ao Rio e pretende prestar queixa contra os estudantes que fizeram os comentários racistas. Nesta terça-feira (20), ele vai falar sobre o caso com o presidente da comissão da OAB-RJ e, na quinta-feira (22), com a responsável pelo Núcleo de Combate ao Racismo da Defensoria Pública do Estado do Rio.

O presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB-RJ, Marcelo Dias, lamenta que a atitude tenha partido de estudantes que querem ser médicos para atender a população. Disse ainda que a instituição vai tomar uma providência com relação ao caso.


— Nós estamos entrando com uma representação junto ao Ministério Público Estadual. São várias ações que nós vamos tomar para que a gente consiga minimizar essa atitude racista que é muito forte na internet.

Dias também esclarece que o estudante não precisou de cotas para entrar na universidade e diz que a sociedade não consegue aceitar a ascensão social de certos grupos.

— Tem gente que não aceita que uma parcela da população chegue em determinados espaços da sociedade. Enquanto os negros estiverem nas favelas, no subemprego, na marginalidade, tudo bem. Agora, se o negro começou a chegar na universidade e em determinados espaços do mercado de trabalho, as coisas começam a mudar, o racismo aflora.

Assista ao vídeo:

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