Ex-presos voltam ao DOI-Codi do Rio para reconhecer instalações de tortura
Objetivo é detalhar como era utilizado o espaço para a tortura dos presos políticos
Rio de Janeiro|Do R7, com Agência Brasil
A CNV (Comissão Nacional da Verdade) esteve nesta terça-feira (23) com peritos e ex-presos políticos no local que foi considerado o principal centro de tortura da ditadura militar no Rio de Janeiro: o antigo prédio do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna), na Tijuca, zona norte da capital.
Segundo o presidente da CNV, Pedro Dallari, o objetivo da diligência é detalhar, no relatório final do órgão que deve ser apresentado até o final de 2014, a utilização da instalação militar para a tortura, a morte e o desparecimento de pessoas.
— Nosso objetivo é apurar os fatos. A visita, com a presença das vítimas indicando com clareza os locais [da violação de direitos humanos] nos permitirá ter um croqui de como era a distribuição desse espaço.
Nos cálculos da CNV, pelo menos 30 ativistas que foram presos no local estão desaparecidos e podem ter sido levados para outros centros do regime militar, como a Casa da Morte, em Petrópolis, na região serrana do estado.
A comissão também fará, nesta segunda-feira (23), o reconhecimento do Hospital Central do Exército, no bairro de Benfica, na zona norte do Rio, onde foi comprovada a morte, sob tortura, do ativista Raul Amaro Nin Ferreira.
Com mais elementos que provam o uso de instalações militares para a tortura, em desvio de finalidade, o presidente da CNV avalia que poderão ser abertos, pelas Forças Armadas, processos administrativos para cassar a aposentadoria dos militares envolvidos nas práticas. Dallari reforça que as instalações militares não foram criadas para tortura.
Durante a diligência, ex-presos políticos indicaram salas onde ficaram presos. A ativista Ana Miranda relatou como funcionava alguns cômodos.
— Está bem modificado, têm construções novas, mas alguns locais nós reconhecemos bem, como a sala roxa, o local da geladeira (onde a temperatura variava ao extremo), o local onde colocaram jacaré no meu corpo nu, o local do fuzilamento simulado e a enfermaria, onde atendia o médico Amílcar Lobo para nos liberar de volta para a tortura.
Integrante da CEV-Rio (Comissão Estadual da Verdade), o ex-preso político Álvaro Caldas, que já esteve no local outras vezes, disse que a visita, com os ativistas entrando pela porta da frente, é um marco.
— Hoje estou revistando o local da minha tortura - em pau de arara- de forma mais demorada, longa, com peritos analisando. Cumpri uma missão histórica para o país.
Caldas lembrou que testemunhos e documentos compravam que morreram ali o deputado Rubens Paiva e o desaparecido político Mário Alves, fundador do PCBR, durante o regime. Em junho, as instituições militares declararam à Comissão Nacional da Verdade que não houve desvio de finalidade do uso de suas instalações, durante a ditadura militar.















