Logo R7.com
RecordPlus

Ex-secretário de Saúde de Cabral é preso no RJ

Empresários Miguel Iskin e Gustavo Estellita também foram presos; trio já havia sido detido pela Lava Jato do Rio por fraudes em licitações no Into

Rio de Janeiro|Giuliana Saringer, do R7

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Movimentação na sede da Polícia Federal, no centro do Rio
Movimentação na sede da Polícia Federal, no centro do Rio

O ex-secretário da Saúde do governo de Sérgio Cabral, Sérgio Côrtes, e os empresários Miguel Iskin e Gustavo Estellita foram presos novamente em mais um desdobramento da Lava Jato do Rio, na manhã desta sexta-feira (31). A PF (Polícia Federal) cumpre outros 18 mandados de prisão no Rio de Janeiro e em São Paulo na operação batizada de "S.O.S".

O trio já havia sido preso por suposto envolvimento em fraudes em licitações do Into (Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia). Sobre Côrtes, pesou ainda a acusação de desvio de verbas da secretaria de Saúde.


As investigações da ação desta sexta apontam o envolvimento do ex-secretário em fraudes na Pró-Saúde, Organização Social que administrava hospitais estaduais, como o Getúlio Vargas, Albert Schuartz, Adão Pereira Nunes e Alberto Torres, durante a gestão de Cabral.

Ainda de acordo com a apuração do MPF (Ministério Público Federal), Iskin teria influência tanto sobre o orçamento e a liberação de recursos pela Secretaria de Saúde quanto sobre as contratações pela Pró-Saúde, indicando empresas e fornecendo a documentação necessária, como cotações de preços e propostas fraudadas, para instruir o procedimento de contratação. Em contrapartida, segundo a Procuradoria da República, o empresário cobrava a devolução de 10% sobre o valor dos contratos dos fornecedores da organização social, distribuídos entre os demais membros da organização criminosa, como Sérgio Cortês e Gustavo Estellita.


"Essa nova fase das investigações comprova que os empresários controlavam a destinação dada aos recursos públicos repassados às organizações sociais que administravam hospitais estaduais, desviando tais verbas em benefício próprio e de terceiros, contando com a atuação de gestores da organização social e de diversos funcionários públicos da Secretaria de Saúde para que a empreitada criminosa fosse concretizada", afirmam os procuradores da República membros da força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro.

A Pró-Saúde é uma organização com sede em São Paulo e os contratos com o Rio de Janeiro chegaram a representar 50% do faturamento nacional da entidade, que saltou de R$ 750 milhões em 2013 para R$ 1,5 bilhão em 2015.


Além do esquema com Miguel Iskin e Sérgio Cortês, as investigações também revelam que três ex-gestores da Pró-Saúde firmaram contratos da entidade com a empresa Aditus Advisor Assessoria e Consultoria Empresarial, da qual eram sócios, obtendo vantagens indevidas no valor de R$ 30 milhões entre os anos de 2012 e 2014.

Os contratos fraudados teriam permitido o desvio de cerca de R$ 74 milhões dos cofres públicos.


Em nota, a Pró-Saúde informou que tem colaborado com as investigações e, em virtude do sigilo do processo, não se manifestará sobre os fatos. A entidade filantrópica disse também que neste momento está voltada para o fortalecimento de sua integridade institucional.

Também foi determinada a intimação de um ex-secretário para prestar esclarecimentos, tendo em vista os indícios de que, mesmo afastado da secretaria, o suspeito teria continuado influenciando transferências de recursos públicos para a organização social, vinculando-as à obrigação de a entidade pagar determinados fornecedores, em detrimento de outras despesas prioritárias na gestão dos hospitais que a OS administra.

Para garantia do ressarcimento dos danos, a Justiça determinou a indisponibilidade de bens e valores dos investigados e empresas envolvidas no montante de até R$ 149.338.476,42.

O R7 tenta contato com a defesa de Côrtes. Já o advogado que representa os empresários Miguel Iskin e Gustavo Estelita classificou a prisão como ilegal e um desrespeito a determinações anteriores do STF (Supremo Tribunal Federal). 

Prisões anteriores

Sérgio Côrtes, Miguel Iskin e Gustavo Estellita já haviam sido presos acusados de envolvimento em fraudes em licitações do Into. A suspeita é que o ex-secretário de Saúde tenha favorecido a empresa Oscar Iskin, ligada aos empresários Iskin e Estellita, em troca do pagamento de propina. Os desvios teriam acontecido entre 2006 e 2017 e chegaram a R$ 300 milhões.

Segundo as investigações, um cartel de 33 empresas fornecedoras de material médico-hospitalar atuou no instituto, algumas delas como laranjas das demais. Miguel Iskin é acusado de chefiar esse cartel que fraudava licitações públicas. As companhias são acusadas dos crimes de formação de cartel, corrupção, fraude em licitações, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

“O núcleo operacional da organização criminosa era formado por funcionários de confiança da empresa Oscar Iskin. Eles eram responsáveis por fazer a ligação entre o setor público (núcleo administrativo-político) e os empresários cartelizados (núcleo econômico) para direcionar as demandas públicas (insumos médicos a serem adquiridos e cotação de preços fraudadas) e as contratações, mediante a desclassificação ilícita de concorrentes que não faziam parte do cartel”, diz o MPRJ (MInistério Público do Rio de Janeiro).

Na época, a defesa de Côrtes afirmou que a denúncia diz respeito à licitações realizadas entre os anos de 2007 a 2014, quando Sérgio Côrtes não era mais diretor do Into. Mas garantiu que ele continuaria colaborando com as autoridades. 

Sérgio Côrtes ocupou o cargo de secretário estadual de saúde de 2007 a 2013, durante o durante o governo de Sérgio Cabral. Ele foi denunciado na Operação Fatura Exposta, em abril de 2017, acusado de movimentar ao menos 4 milhões e trezentos mil dólares em contas na Suíça. Após a transação bancária, o suspeito transferiu a quantia para uma offshore nas Bahamas, entre 2011 e 2017.

Em novembro, o ex-secretário admitiu ao juiz Marcelo Bretas, responsável pela condução dos processos na Lava-Jato no Rio, ter recebido cerca de 3 milhões de dólares de um empresário em uma conta nas Bahamas e reconheceu que usou o dinheiro para pagar despesas pessoais.

Em dezembro de 2017, o ministro Gilmar Mendes do STF (Supremo Tribunal Federal) determinou a soltura de Iskin e Estellita. Em fevereiro deste ano, o ministro estendeu o benfício da prisão domicilar a Sérgio Côrtes. 

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.