"Gostaria de pedir aos policiais e traficantes um pouco de respeito porque tá demais" diz moradora sobre tiros no Alemão
Operações deixam suspeitos feridos nos morros do Borel e da Serrinha
Rio de Janeiro|Do R7

Confrontos em comunidades na zona norte do Rio deixaram, pelo menos, duas pessoas feridas na manhã desta quinta-feira (10). A polícia realizou operações nos morros do Fallet, Serrinha e no Complexo da Pedreira, onde prendeu o homem suspeito de chefiar o tráfico de drogas e o roubo de cargas na região.
Já no Complexo do Alemão e na comunidade do Borel, a troca de tiros teria começado após criminosos atacarem agentes da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora). As ocorrências, segundo a Secretaria Municipal de Educação, deixaram cerca de 2.100 alunos sem aulas.
Escolas fechadas
Por volta de 6h30, os moradores do Complexo do Alemão foram acordados ao som dos tiros. Segundo relatos nas redes sociais, os disparos se concentravam nos pontos conhecidos como Fazendinha e Alvorada. De acordo com o comando da unidade, policiais em patrulhamento teriam sido atacados e revidaram. Não há informações sobre presos ou feridos.
Este foi o segundo dia sem aulas devido a tiroteios apenas nesta semana, lembraram moradores em uma publicação na página do jornal Voz das Comunidades. Desesperada, uma mãe pede cooperação a policiais e traficantes:
— Acho uma sacanagem o que vem acontecendo. Gostaria de pedir aos policiais e traficantes um pouco de respeito porque tá demais. Nossos filhos não conseguem estudar. Hoje é quinta-feira e 2 dias essa semana não teve aula por conta de tiros que sempre iniciam entre 6h30 e 7h. Será que o filho do pobre não tem direito de estudar? (...) Precisamos trabalhar fora! Como? Se nossos filhos que estudam nas creches publicas dentro do Alemão quase não estudam por falta de aula devido a tiros. Como trabalhar assim? Quem tem uma segunda pessoa para ficar caso não tenha aula ok, mas quem não tem? E ai, vai viver de quê? — desabafou uma moradora.
Na última terça (8), uma intensa troca de tiros durante uma operação do Bope provocou o fechamento de creches e escolas. Dados da Secretaria Municipal de Educação demonstram que apenas no primeiro semestre deste ano, as aulas na área precisaram ser suspensas, pelo menos, 15 vezes. Segundo o levantamento, a região é uma das cinco mais afetadas da cidade.
Feridos
Na Tijuca, policiais da UPP do Borel trocaram tiros com criminosos no início da manhã. Após o confronto, um homem foi encontrado baleado e foi socorrido para o Hospital Federal do Andaraí. Com ele, os policiais apreenderam um fuzil. Ainda não há informações sobre o estado de saúde do ferido.
Outro suspeito foi baleado durante operação do Batalhão de Rocha Miranda (9º BPM) na comunidade da Serrinha, em Madureira. O suspeito portava uma pistola e um rádio transmissor, que foram apreendidos pelos agentes. Ainda não há informações sobre a unidade para onde o ferido foi socorrido ou seu estado de saúde.
Ação do Bope
No morro do Fallet/Foguetiro, no Rio Comprido, policiais do Bope atuam na comunidade desde as primeiras horas do dia. Moradores relataram uma intensa troca de tiros, pouco antes das 7h. De acordo com o último balanço da PM, não havia presos ou apreensões.
Liderança do crime
Em Costa Barros, uma operação do batalhão de Irajá (41º BPM) terminou com a prisão do homem apontado como chefe do tráfico de drogas e do roubo de cargas no Complexo da Pedreira. Thiago Rodrigues da Silva, conhecido como "TH", foi preso na localidade da Quitanda, após uma denuncia anônima. Com ele, os policiais apreenderam um fuzil.
A região do Complexo da Pedreira é uma das áreas com o maior índice de roubo de cargas no Estado















