Hemorio isola 17 pacientes com superbactérias e nega risco de contaminação para doadores de sangue
O hospital também comentou sobre o fato de larvas terem sido encontradas nas comidas
Rio de Janeiro|Do R7, com Agência Brasil

O Hemorio (Instituto Estadual de Hematologia Arthur de Siqueira Cavalcante) afirmou nesta quarta-feira (28) que, apesar de três pacientes estarem infectados por bactérias multirresistentes, e 14 estarem com sintomas da presença do microorganismo na pele, não há risco de infecção generalizada. A direção da unidade, que é referência no tratamento de doenças relacionadas ao sangue, informou que os pacientes citados não estão doentes por culpa da bactéria e vêm sendo mantidos internados em isolamento no instituto.
Segundo a diretora-geral da unidade, Simone Silveira, o aparecimento de bactérias resistentes a antiobióticos é comum, principalmente em pacientes com imunidade baixa, em decorrência de tratamentos como a quimioterapia.
— Com o passar do tempo, bactérias se tornam mais resistentes a remédios. Mas há novas drogas, mais potentes. Os pacientes que estão internados aqui têm tratamento, estão sob cuidados, não estão esperando a morte.
A diretora do Hemorio reforçou que não há nenhum risco de infecção para pessoas que regularmente doam sangue na instituição, em uma ala “completamente desvinculada da internação”. E pediu que os doadores compareçam à unidade.
— Por uma série de motivos como a greve de ônibus, estamos com estoques baixos, na véspera da Copa do Mundo.
Para evitar a propagação da bactéria, a médica explicou que os pacientes estão em uma área isolada.
— Porque o acompanhante desse paciente vai pegar nele, vai tocar, e depois vai encostar na maçaneta, vai ao banheiro. Um outro acompanhante pode vir e tocar naquilo. Aí, um outro paciente que está sensível, pode ser colonizado.
Segundo ela, os profissionais da unidade precisam usar máscaras e luvas para lidar com os pacientes do isolamento.
De acordo com Simone, o número de pacientes com bactérias multirresistentes no Hemorio está abaixo do percentual de 8% (pacientes por leito) aceitável pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
— Nossa taxa global de infecção hospitalar está abaixo de 1,3%. As bactérias estão aqui no hospital e na população por algum tempo, não existe risco de infecção geral.
Na terça-feira (27) sete pessoas que tinham sido detectadas com o problema tiveram alta. O professor de infectologia pediátrica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Edmilson Migowski, confirmou que pessoas em tratamento acabam mais vulneráveis a doenças.
— É igual ventar contra uma casa de palha e outra de alvenaria. O mesmo vento derruba a casa de palha e não a de alvenaria.
Ele ressaltou que é pouco provável que pessoas saudáveis corram o mesmo risco.
— Esse é o problema da atualidade. A partir do momento em que mantemos vivos quem teria morrido por falta de quimioterapia, de cuidado médico, infelizmente, vai ocorrendo a possibilidade de colonização (primeiro passo para a infecção)—, explicou Migowski.
Os pacientes do Hemorio foram identificados com as bactérias ESBL, KPC e VRE. A direção do Hemorio também confirmou que, na semana passada, o setor de pediatria identificou larvas na comida servida às crianças. A empresa terceirizada que fornece a alimentação foi notificada para que trocasse a chefia de Nutrição.
— Acreditamos que tenha sido um caso isolado porque é uma empresa que comprova qualidade no processo.
A Agência Brasil procurou a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que não comentou a situação no Hemorio.
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