Incêndio em Caxias: depósito que pegou fogo vai virar área de lazer com nome de vítima
Gelson da Silva Corrêa, de 43 anos, morreu com 90% do corpo queimado
Rio de Janeiro|Do R7

A Prefeitura de Duque de Caxias informou que o terreno onde funcionava o depósito de combustível que pegou fogo no bairro Vila Maria Helena, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, na quinta-feira (24), vai virar área de lazer e terá o nome da única vítima fatal.
Gelson da Silva Correia, que teve 90% do corpo queimado, não resistiu aos ferimentos e morreu. Ele trabalhava no depósito de combustível, que pertence à empresa Petrogold. A vítima foi enterrada no sábado (25), após entraves na liberação do corpo.
Casas danificadas
A distribuidora de combustível responsável pelo depósito informou na segunda-feira (27) que irá custear toda a despesa com a reforma das residências danificadas. De acordo com a Defesa Civil, 20 casas foram afetadas pelas chamas. Do total, cinco residências foram interditadas por estarem sem condições estruturais.
Segundo o advogado da Petrogold, Fábio Calil, as famílias que ficaram desabrigadas receberão dinheiro para o aluguel provisório de uma nova moradia.
— Nós pegamos o laudo da Defesa Civil e em cima disso estamos trabalhando para ajudar as famílias que foram prejudicadas. Nas casas que foram abaladas, a Petrogold vai arcar com as obras de restauração. Nas que foram interditadas, pagaremos aluguel para a moradia.
Ainda de acordo com Calil, a família do trabalhador morto receberá todo o apoio necessário.
— A empresa arcou com as despesas do enterro e vai arcar com as que forem necessárias para a família.
Máfia dos combustíveis
De acordo com a Polícia Federal, o bairro de Vila Maria Helena, onde ocorreu o incêndio, é conhecido por hospedar uma máfia de adulteração de combustíveis. Até quintais de imóveis residenciais são usados como armazéns de gasolina.
A distribuidora de derivados de petróleo Petrogold, foi lacrada em julho do ano passado pela Polícia Federal por operar sem licença do Inea (Instituto Estadual do Ambiente) e armazenar irregularmente combustíveis. Na ocasião, quando foram apreendidos 510 mil litros de combustível, o secretário do Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc, disse que “o combustível estava sendo armazenado de qualquer forma, sem as devidas medidas de segurança”.
Na última quinta-feira (24), a empresa informou que funcionava regularmente e que a operação em questão não resultou em sanção. Já o secretário do Meio Ambiente, Carlos Minc, informou que a empresa foi multada em R$ 210 mil. A ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) informou, por meio de nota, que o alvará de funcionamento emitido à Petrogold pela Prefeitura de Duque de Caxias, o certificado de vistoria do Corpo de Bombeiros e a licença de operação ambiental estão dentro do prazo de validade. Segundo o secretário Minc, o Inea não havia concedido licença. Por esse motivo, na avaliação dele, a situação da empresa era irregular.
Em julho passado, Minc alertou para o risco de danos ao meio ambiente e informou que dois caminhões com 27 mil litros de álcool anidro (cada um) foram encontrados vazando o fluído no terreno, podendo contaminar o solo e o lençol freático.
A empresa foi autuada pelo crime de poluição e a responsável pelo local conduzida à delegacia para esclarecimentos. Outros dois galpões em Jardim Primavera (Caxias) também foram fechados.
A Polícia Federal informou que o inquérito apurou suspeita de crimes cometidos pela Petrogold de competência da esfera estadual. Por isso, pediu ao Ministério Público Federal que o caso fosse repassado à Polícia Civil.















