Máfia dos táxis financiava campanhas de políticos em Niterói, diz promotor
Segundo a prefeitura, motoristas de táxi serão recadastrados entre dezembro e janeiro
Rio de Janeiro|Do R7

Após operação contra uma máfia de táxis que atuava em Niterói, a prefeitura da cidade informou, nesta quinta-feira (26), que vai recadastrar todos os 1.096 táxis entre dezembro e janeiro. Segundo a subsecretaria de Transportes do município, nenhuma permissão nova foi concedida desde 2013.
O promotor do MP (Ministério Público do Rio de Janeiro) Sérgio Luis Lopes Pereira, disse ao R7 que a máfia dos táxis piratas estaria envolvida com o financiamento de campanhas políticas no município. Segundo Pereira, em um áudio, integrante da máfia negociava apoio a um político da cidade.
— Para a máfia, era fundamental controlar a autonomia dos táxis. Os caras que bancavam precisavam estar lotados em cargos na prefeitura para ter o controle e, para manter o cargo, eles tinham indicação política.
Ainda de acordo com o promotor, o grupo teria apoiado o antigo prefeito de Niterói, Jorge Roberto Silveira, até 2012, e também apoiado a candidatura do atual prefeito, Rodrigo Neves. Entretanto, Pereira afirmou que não há provas de que Silveira e Neves sabiam do apoio oferecido pela máfia.
Em nota, a Prefeitura de Niterói informou que "nenhum dos servidores presos durante a ação da polícia e do Ministério Público estadual exerceu ou exerce cargo de confiança na atual gestão, conforme informações do próprio MP".
A ação foi concluída na tarde de hoje, segundo a Seseg (Secretaria de Estado de Segurança), com 19 suspeitos de envolvimento com a máfia presos. Ao todo, a Justiça expediu 24 mandados de prisão e 52 de busca e apreensão na cidade da região metropolitana do Rio de Janeiro.
De acordo com as investigações da operação Bandeira Preta, uma organização criminosa, chefiada por Roberto Carlos Brito da Costa, conhecido como Betinho — chefe da fiscalização da Subsecretaria de Transportes de Niterói — agia no Setor de Transporte Individual da secretaria, responsável pela fiscalização do serviço de táxi. Outro servidor lotado nesse setor, Alexander Soares Shroeder, conhecido como Shrek, também integra o grupo criminoso.
Segundo a pasta, Betinho foi exonerado do cargo em março de 2010, e Schroeder em dezembro de 2012. Um processo administrativo foi aberto para investigar a conduta dos dois e, se condenados, poderão ser expulsos do serviço público municipal.
Lucro de R$ 2,2 mi por mês
A fraude consistia, inicialmente, em se apropriar de autonomias suspensas pela morte do permissionário. Depois disso, os criminosos passaram a fazer duplicatas de autonomias de táxis, cujos proprietários estão vivos. Com a clonagem da autonomia legítima, a organização criminosa conseguia até cinco veículos para taxistas piratas. Um falso cartão de identificação do motorista era emitido e o veículo pintado. Até o taxímetro era feito por "relojoeiros" da organização criminosa.
Estima-se que atualmente existam 600 táxis piratas circulando em Niterói. Com a fraude, a organização criminosa lucrava cerca de R$ 2,2 milhões por mês.
Segundo as investigações, a morte, em 20 de janeiro de 2010, do então subsecretário de Transportes de Niterói, Adhemar José Melo Reis, foi consequência de seus esforços em combater as irregularidades na falsificação de autonomia de táxis.















