Maré: "Foi pânico generalizado", diz professora que protegeu alunos no chão durante tiroteio
Alunos de ONG e da rede municipal tiveram que se esconder durante troca de tiros
Rio de Janeiro|Do R7*

A fundadora do Projeto Urerê, Yvonne Bezerra, afirma que os tiroteios no Complexo da Maré são constantes e dificultam o aprendizado dos alunos. Na última segunda-feira (3), um tiroteio próximo à Vila Olímpica do complexo, onde está localizada a escola do projeto, obrigou professores e alunos a se protegerem dos tiros.
Segundo Yvonne, quem frequenta a escola do projeto já está acostumado aos tiroteios, mas o que aconteceu ontem foi de grandes proporções e causou “pânico generalizado”.
— [Tiroteios] acontecem sempre. Desde sábado que piorou e, dessa vez, foi muito tiro. O pior é que foi na frente da minha escola. Ficamos desesperados.
Os alunos do Projeto Urerê são crianças entre seis e 15 anos com dificuldade de aprendizado. Yvonne afirma que esse cenário de violência é prejudicial para as crianças.
— Isso prejudica [o aprendizado]. Criança em escola para pobre vive sob constante tensão. Por isso, os índices de desempenho escolar no Brasil são baixos. A violência nas favelas bloqueia o aprendizado.
Outras nove escolas, um Espaço de Desenvolvimento Infantil e três creches não funcionaram no Complexo da Maré por motivos de segurança, segundo a Secretaria Municipal de Educação, na segunda-feira (3). No total, 4.010 alunos de unidades municipais não tiveram aula. Na página Maré Vive, do Facebook, um morador enviou foto das escolas Bartolomeu Campos de Queirós e Vicente Mariano com alunos se refugiando em corredores durante troca de tiros.
Por causa do tiroteio próximo à escola do projeto Urerê, crianças sofreram convulsão e professores tiveram crise de hipertensão. Um menor de idade ferido em frente ao local foi socorrido por moradores. Uma professora, que não quis se identificar, auxiliou no socorro do jovem e questiona a atuação da Força de Pacificação.
— Nós o levamos em uma Kombi para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento). Não tinha nenhum militar para ajudar. Não sabemos se ele era envolvido com o crime, mas isso é o que menos importa nesse momento. Onde estavam os milhares de militares que ocupam a Maré que não impediram o tiroteio?
Segundo o Comando da Força de Pacificação da Maré, o tiroteio próximo à Vila Olímpica, na favela Nova Holanda, se deu entre facções criminosas. Os militares em ronda foram até o local para fazer a segurança dos moradores. Ainda segundo a Força de Pacificação, não haverá alteração no efetivo porque o planejamento já preveria esse tipo de ocorrência.
Mortes na Maré
Na Vila do João, um adolescente de 17 anos morreu durante uma troca de tiros. De acordo com a Força de Pacificação, ele tem envolvimento com facções criminosas e atirou contra militares. A Delegacia de Bonsucesso (21ª DP) informou que foi aberto inquérito para apurar a morte do jovem. O outro suspeito teria fugido do local.
Segundo a Divisão de Homicídios da Capital, outro homem também morreu durante o tiroteio e os familiares estão sendo ouvidos para apurar a morte.
*Colaborou Lola Ferreira, do R7 Rio















