Menino cortado ao meio: condutor e dono do trator responderão por homicídio
Carlos Eduardo foi atropelado em outubro, em Nova Iguaçu; inquérito durou 6 meses
Rio de Janeiro|Do R7

A Justiça aceitou denúncia contra duas pessoas pela morte do menino Carlos Eduardo Souza Costa, atropelado por um trator no dia 1º de outubro de 2012, na rua Pernambuco, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense. A máquina partiu o menino ao meio. Selso da Silva, que conduzia o veículo, e Valdecy Vieira Rangel, supostamente dono do trator, responderão por homicídio culposo – quando não há intenção de matar.
O caso, encaminhado ao Tribunal de Justiça em 3 de abril, ficou nas mãos da polícia por seis meses. A conclusão do inquérito foi acelerada somente no fim de março, após ameaça de intervenção do Ministério Público, que demonstrou a intenção de abrir um procedimento de apuração contra a Delegacia da Posse (58ª). Em geral, o prazo para a investigação policial é de 30 dias, prorrogável por mais 30.
Fotos: "Nos tratam como um nada"
Segundo o MP, a demora foi resultado de falhas na conclusão do inquérito. O documento inicialmente enviado pela polícia não levava em consideração um item considerado básico pela promotoria: o laudo pericial sobre o freio do trator. Em um último momento, o promotor responsável cogitou, inclusive, pedir apreensão do inquérito na 58ª DP. No entanto, como o prazo final foi cumprido, a medida não se tornou necessária.
Condutor disse que freio falhou
Em depoimento na Delegacia da Posse, ainda no início das investigações, Selso da Silva, o condutor do trator, disse que o freio travou e o veículo perdeu o controle. Com o barulho da máquina, Cadu não teria escutado seu alerta para “sair da frente”.
Valdecy, o dono da máquina, afirmou ter alugado o trator para Selso 25 dias antes do atropelamento. Segundo ele, em nenhum momento os responsáveis pela obra comunicaram problema no carro. Contudo, no dia do acidente vizinhos contaram outra versão e disseram ter visto a draga perder o controle por falta de freio na véspera da morte de Carlos Eduardo.
O responsável pela intervenção no terreno, um comerciante que mora na região há 20 anos, disse à polícia que não havia obra no local, mas sim uma limpeza da área. No depoimento, não citou qualquer defeito relacionado ao trator. Ele não foi incluído no processo.
Família revoltada
A abertura do processo e a perspectiva de ver os responsáveis pela morte do filho frente a frente com a Justiça aliviam Aline Souza Costa, de 28 anos. A mãe de Cadu, porém, acha que a culpa pelo atropelamento deveria cair sobre as costas de mais gente.
— Dá um alívio saber que finalmente a polícia acabou essa investigação e que agora a Justiça vai tomar as decisões dela. Mas falta gente aí. Acho que deveriam apurar melhor. Tem um vereador, por exemplo, que precisa responder. Foi ele quem inventou obra para conseguir voto da população.















