Rio de Janeiro Moradores reclamam de gosto e cheiro alterados em água da Cedae

Moradores reclamam de gosto e cheiro alterados em água da Cedae

Problema ocorre um ano após outra crise afetar abastecimento na capital e na Baixada. Cedae disse que vai analisar amostras

  • Rio de Janeiro | Mariene Lino, do R7*, com Record TV Rio

Um ano após a crise na qualidade da água que afetou a Baixada Fluminense e a Região Metropolitana do Rio, moradores voltaram a reclamar, nesta quinta-feira (21), de alterações no gosto e no cheiro da água fornecida pela Cedae (Companhia de Água e Esgotos do Rio de Janeiro). 

Água chega com cheiro e gosto

Água chega com cheiro e gosto

Reprodução/Jorge Costa

Nos últimos dois dias, Jorge Costa, morador de São Francisco Xavier, na zona norte do Rio, percebeu que havia gosto de terra e "cheiro estranho" na água e, por isso, precisou comprar água mineral. 

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"Compro galão de 20 litros para beber. Para utilizar em casa, usamos a água da torneira mesmo", disse Jorge.

Já o estudante de Medicina Pedro Quintanilha, morador de Nilópolis, na Baixada Fluminense, contou que outros moradores do edifício onde reside também reclamaram de gosto e cheiro ruins na água.

"Muitos condôminos estão reclamando, inclusive já foram feitas duas limpezas na cisterna e o problema continuou", disse ele.

O problema no abastecimento levou o governador em exercício do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, a convocar uma reunião nesta tarde para cobrar explicações da Cedae. 

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A companhia informou que está avaliando as reclamações e já começou a coletar amostras em localidades que relataram a situação. Até o momento, segundo a Cedae, não há indícios de aumento da proliferação de algas ou substâncias estranhas na água.

Bairros sem água

Enquanto isso, alguns bairros do Rio de Janeiro estão com as torneiras secas. Em Pedra de Guaratiba, na zona oeste da cidade, os moradores estão com o abastecimento prejudicado há mais de três meses.

A dona de uma padaria, identificada como Sandra, afirmou que precisa comprar oito galões de água por dia para cozinhar e lavar louça.

"A gente já está parando, não tem condições, porque é muito gasto com água. Precisamos comprar água e gelo, colocar gasolina no carro... Estou tirando de um lugar de onde não poderia tirar, porque o estabelecimento é pequeno e tem dois funcionários que já não estão recebendo salário", afirmou ela.

Em relação a este caso, a Cedae informou que enviaria uma equipe ao endereço nesta quinta (21) para atuar na solicitação.

Crise no abastecimento em 2020

No ano passado, os moradores do Rio enfrentaram outras crises no abastecimento de água.

No primeiro trimestre, consumidores de diversos pontos da região metropolitana do Rio reclamaram que a água estava com a coloração amarelada e com cheiro forte. Algumas pessoas chegaram a relatar que apresentaram febre, enjoo e vômito ao beberem a água.

Inicialmente, a Cedae apontou que o problema era causado pela geosmina, substância produzida por algas, que precisam de condições específicas para se proliferar.

Cinco meses depois, uma análise feita pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) constatou que a substância que causou as alterações no líquido foi o 2-MIB (Metil-Isoborneol), que é similar à geosmina e cresce em maior quantidade em função da presença de esgoto. 

Em novembro, o atraso na manutenção da Elevatória do Lameirão provocou falta d'água em regiões da capital e da Baixada Fluminense. O serviço foi normalizado às vésperas do Natal.

*Estagiária do R7, sob supervisão de Bruna Oliveira

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