Mulher com tumor gigante no pescoço morre na porta de hospital durante transferência
Ângela Gomes estava internada havia um mês esperando ser transferida para o Inca
Rio de Janeiro|Do R7

Depois de 20 dias lutando para ser transferida, Ângela Maria Gomes, de 59 anos, morreu ao ser levada para o Inca (Instituto Nacional do Câncer), no centro do Rio. Ângela estava internada havia um mês no hospital Municipal Álvaro Ramos, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio. Ela aguardava transferência para uma unidade onde pudesse retirar um tumor que havia se rompido no pescoço.
A família de Ângela conseguiu uma liminar na Justiça que determinava a transferência da paciente para uma unidade onde o procedimento pudesse ser realizado, mas a ordem não foi cumprida. Após exibição de uma matéria no Balanço Geral RJ de terça-feira (17), a família recebeu a notícia de que a paciente seria transferida para o Inca nesta quarta-feira (18).
De acordo com os familiares, Ângela morreu dentro da ambulância na porta do Inca. Janaína Gomes, filha da paciente, disse ao Balanço Geral RJ desta quarta que a ambulância que levou sua mãe não era apropriada.
—Hoje de manhã ela veio para o Inca, só que ela não aguentou. A ambulância não era apropriada, não tinha UTI, e quando ela chegou ao hospital ela provavelmente teve uma parada respiratória e morreu, já que não tinha recurso nenhum na ambulância.
A paciente foi acompanhada pelo primo Bruno César Gomes, e, de acordo com ele, a enfermeira que acompanhou os dois disse que a ambulância não era ideal para a transferência.
—A enfermeira falou para mim que teria que ter uma UTI na ambulância. Ela veio inclinada na ambulância, consciente, mas quando a gente chegou perto ela passou mal e acabou falecendo quando a enfermeira desceu pra fazer a ficha dela.
Bruno diz que Ângela não podia entrar no hospital sem fazer ficha e por isso teve que aguardar a enfermeira dentro da ambulância.
O tumor no pescoço de Ângela apareceu havia mais de dez anos, mas o caroço se rompeu em agosto. Desde então a família de Ângela começou a correr atrás de hospitais e conseguiu uma internação no hospital Álvaro Ramos.
Um dos médicos que atendeu a paciente assinou um documento que diz que a mulher precisava passar por uma cirurgia de cabeça e pescoço, porém, a unidade não poderia realizar o procedimento.
No dia 26 de agosto, os familiares de Ângela conseguiram na Justiça um documento que determinava a transferência dela em até 24 horas, mas a ordem não foi cumprida. No dia seguinte saiu outro documento falando do descumprimento da ordem judicial, mas a paciente permaneceu internada na unidade até terça-feira.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que "vinha desde o dia 26 de agosto solicitando pelo Sistema de Regulação vaga para a paciente nos hospitais especializados em oncologia, que pertencem à rede federal. Apesar das insistentes solicitações, somente em 17 de setembro a vaga foi oferecida pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), para admissão no dia 18. A paciente encontrava-se com quadro clínico estável, em condições de ser transferida, contudo passou mal durante o trajeto, falecendo ao dar entrada no Inca".
O Inca informou que está apurando o caso.
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