OAB vai à Justiça contra lei que proíbe máscaras em protestos no Rio
Caso governador sancione a lei, órgão vai entrar com representação no TJ
Rio de Janeiro|Do R7

A OAB-RJ (Ordem dos Advogados do Brasil) vai entrar na Justiça contra o projeto de lei aprovado na terça-feira (10) que proibirá o uso de máscaras em manifestações. O órgão deve enviar um ofício ao governo do Estado com as considerações. Caso a lei seja sancionada pelo governador Sérgio Cabral, a OAB pretende entrar com uma representação no Tribunal de Justiça do Rio.
De acordo com a Ordem, a lei é inconstitucional, já que fere o direito à liberdade de reunião e manifestação.
A votação do projeto foi realizada no fim da tarde de terça-feira na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). A sessão estava marcada para o último dia 3, mas foi adiada devido à apresentação de 13 emendas. O projeto foi apresentado na Casa no dia 29 de agosto, em regime de urgência, pelos deputados Domingos Brazão e Paulo Melo, ambos do PMDB.
Insatisfeitas com a votação, cerca de 60 pessoas fizeram uma manifestação na porta da Alerj no fim da tarde. Policiais fizeram um cordão de isolamento para evitar que o grupo entrasse no prédio.
— Mesmo se for aprovado, não vai dar certo, porque vamos continuar indo com máscara.
O projeto prevê também que todo ato transcorra de forma pacífica; sem o porte ou uso de quaisquer armas; em locais abertos mediante prévio aviso à autoridade policial. Quanto à realização de reuniões públicas em locais fechados, também não há restrição, segundo Paulo Melo.
Os deputados que apresentaram o projeto defendem que ele se trata da defesa de uma livre manifestação. Brazão destacou que os atos têm de ocorrer de maneira ordeira e que os que cometem os delitos deveriam ser autuados.
— É preciso garantir o direito de todos, a proteção do patrimônio público e da população. Temos que livrar a população desses marginais que estão com os rostos cobertos para quebrar lojas.
Paulo Melo vai além e diz que os que depredam o patrimônio público ou privado não devem ser chamados de manifestantes.
— Eu me nego a aceitar essa nomenclatura manifestante para este grupo. Quem vai quebrar loja, lixeira é bandido.















