Rio de Janeiro Perícia demorou 3 horas para chegar ao Salgueiro, diz polícia

Perícia demorou 3 horas para chegar ao Salgueiro, diz polícia

PM não notificou Polícia Civil sobre corpos na comunidade. MP disse que aviso de operação também foi equivocado

  • Rio de Janeiro | Rafaela Oliveira, do R7*, com Record TV Rio

Perícia demorou 3 horas para chegar até os corpos

Perícia demorou 3 horas para chegar até os corpos

Reprodução/Record TV Rio

A Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que a perícia demorou cerca de três horas para chegar até a zona de mangue no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, onde estavam os corpos encontrados por moradores.

De lá, as vítimas foram encaminhadas para o Instituto Médico-Legal (IML) da região. Sete dos oito mortos na operação da PM no último domingo (21) já foram identificados. 

Dois dos sete identificados não tinham passagem pela polícia. Um deles era Kauã Brenner Gonçalves Miranda, de 17 anos. Segundo a Polícia Civil, um dos mortos que não possuía antecedentes também estava vestido com roupa camuflada, semelhante à do restante do grupo.

Na tarde desta segunda-feira (22), o Ministério Público abriu uma investigação para analisar eventuais violações de direitos praticadas na operação. Um perito integrante do quadro técnico da instituição acompanhou o exame dos corpos no IML.

A Defensoria Pública também esteve no local na tarde de ontem. Segundo relatos ouvidos pela equipe do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos e da Ouvidoria Externa, os corpos foram encontrados horas depois de a Polícia Militar ter deixado o local, às 18h do domingo.

Ainda segundo os defensores, o Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) estava em operação na comunidade desde sábado de manhã, após o sargento Leandro Rumbelsperger da Silva, de 38 anos, ser morto na comunidade

Em nota, a Defensoria Pública do Rio de Janeiro disse que não houve comunicação direta das autoridades quanto aos corpos encontrados.

"A Defensoria Pública aponta preocupação em não ter havido comunicação imediata por parte da Polícia Militar à Polícia Civil e ao Ministério Público da existência de corpos na comunidade. Além disso, não houve acautelamento [proteção da cena do crime] do local, fundamental para a realização da perícia", afirmou a instituição. 

Por sua vez, a Polícia Civil não disse, até o fechamento desta matéria, se vai investigar a Polícia Militar pela demora de um dia no acionamento da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí na operação.

Além da demora em informar a Polícia Civil e o MP sobre os corpos, a Polícia Militar descumpriu a decisão liminar da ADPF 635, já que a operação só foi comunicada no sábado à tarde, embora tenha começado de manhã. Segundo o MP, operações precisam ser justificadas imediatamente ao órgão. 

*Estagiária do R7, sob supervisão de PH Rosa

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