Pezão rebate ministro: "governo e PM não negociam com criminosos"
Torquato Jardim disse que comandantes de batalhões são sócios do crime
Rio de Janeiro|Bruna Oliveira, do R7

O governador do Rio Luiz Fernando Pezão rebateu as duras críticas à segurança pública do Estado feitas pelo ministro da Justiça, Torquato Jardim, nesta terça-feira (31).
Em nota, Pezão afirmou que "o governo do Estado e o comando da Polícia Militar não negociam com criminosos".
Em entrevista ao blog do jornalista Josias de Souza, o ministro da Justiça afirmou que comandantes de batalhões no Rio de Janeiro são sócios do crime organizado, e que o comando da PM decorre de um acordo entre deputados e o poder paralelo.
Além disso, Torquato Jardim declarou ainda que a morte do coronel Teixeira, ex-comandante do Batalhão do Méier, teria sido um acerto de contas.
Pezão afirmou que Torquato Jardim nunca o procurou para tratar destes assuntos. Ele ressaltou ainda que "o comandante da PM, coronel Wolney Dias, é um profissional íntegro".
No mesmo texto, o governador esclareceu que "as escolhas de comandos de batalhões e delegacias fluminenses são decisões técnicas e que jamais recebeu pedidos de deputados para tais cargos".
A Polícia Militar divulgou uma nota de repúdio sobre o caso. Leia a íntegra:
"As declarações do Ministro da Justiça, Torquato Jardim, vinculando comandantes de batalhões da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro ao crime organizado, são de uma irresponsabilidade inadmissível e merecem o nosso mais veemente repúdio.
Ao generalizar acusações sem qualquer base comprobatória contra uma instituição bicentenária, as declarações do ministro Jardim revelam, no mínimo, desrespeito e desprezo ao esforço descomunal empreendido por milhares de policiais militares que, não obstante a dificuldades de toda ordem, não têm medido esforços para defender a sociedade do nosso Estado.
Vale lembrar que até a presente data, perdemos 113 companheiros de farda, vítimas de um quadro de violência formado por inúmeras variáveis e sobre o qual a Polícia Militar não pode ser responsabilizada.
Muito pelo contrário, no enfrentamento diário aos criminosos, somente este ano efetuamos mais de 20 mil prisões e apreendemos mais de cinco mil armas de fogo. A grande maioria dessas armas é fabricada em outros países. Fuzis com alto poder ofensivo e pistolas sofisticadas chegam às mãos de criminosos por uma articulação do tráfico internacional de armas, cuja repressão transcende a atuação das forças de segurança estaduais.
Em relação à morte do coronel Luiz Gustavo Teixeira, citada também nas declarações do ministro Jardim, cabe esclarecer que o oficial de conduta ilibada estava uniformizado, pois voltava de uma cerimônia de posse em outro batalhão da corporação. E foi assassinado numa tentativa de assalto, como quase todos os policiais militares, que, ao se depararem com criminosos, não têm outra alternativa senão matar ou morrer. A banalização da vida, revelada nesse crime hediondo, é resultado também de um código penal anacrônico, cuja revisão também não é atribuição da esfera estadual.
Por fim, vale registrar ainda nossa repulsa a denúncias contra uma corporação que não aceita e pune com todo rigor qualquer desvio de conduta em suas fileiras, como pode ser comprovado pelo trabalho da Corregedoria Interna da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro".














