Protesto de caminhoneiros afeta abastecimento no Rio de Janeiro
Com carregamento comprometido, valor de alimentos na Ceasa dispara; postos de gasolina relatam falta de combustível
Rio de Janeiro|Jaqueline Suarez, do R7*

O movimento nacional dos caminhoneiros contra o aumento do diesel, que entra no terceiro dia nesta quarta-feira (23), já afeta o abastecimento de combustível e alimentos no Rio de Janeiro. O Sindicato dos Postos de Gasolina confirmou que o fornecimento está prejudicado desde segunda-feira (21), quando começaram os protestos em vários Estados do país.
De acordo com o órgão, postos abastecidos por grandes distribuidoras já estão sem algum tipo de combustível na bomba. A previsão de dois estabelecimentos na zona norte da capital é que todo estoque deva acabar ainda nesta quarta. Há relatos de desabastecimento em vários bairros da cidade do Rio.
Protesto de caminhoneiros reduz frota de ônibus
A Ceasa (Central de Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro) registrou mudanças significativas nos preços dos produtos comercializados. Apenas ontem, houve uma queda de 51% na entrada de caminhões carregados. O número é ainda maior nesta quarta: a central estima que 70% do carregamento previsto não foi entregue.
O desabastecimento tem como consequência a alta de preços. A batata (saco de 50 Kg) foi o produto com o maior aumento, saltando de R$74, na semana passada, para R$ 350 agora, uma variação de 373%. Já o valor do morango dobrou. A caixa que custava, em média, R$12 na semana passada, hoje está sendo vendida a R$ 18.
Protestos dos caminhoneiros afetam as entregas dos Correios
Em nota, a Ceasa explicou o porquê da variação brusca no preço dos produtos.
“O mercado atacadista funciona de acordo com a oferta e a procura, se a entrada da oferta do produto diminui, os preços têm a tendência de aumentar. E se a oferta aumenta, a tendência é a queda dos preços, sendo que a greve dos caminhoneiros acarretou a redução da oferta dos produtos, ocasionando preços altos no mercado”.
Indústria
A Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) também manifestou preocupação com a paralisação.
"Como o transporte rodoviário de cargas é o mais importante dentro da logística nacional, há risco de desabastecimento. Isto se mostra ainda mais grave no caso da indústria fluminense. A crise econômica dos últimos anos foi mais grave no Estado do RJ do que no resto do Brasil. Tal conjuntura levou as empresas a trabalharem com estoques muito reduzidos, e qualquer paralisação no transporte leva rapidamente a desabastecimento", afirmou em nota.
*Estagiária do R7, sob supervisão de Raphael Hakime















