Rio libera tornozeleiras para monitoramento dos acusados pela morte de cinegrafista
Dupla deve passar a usar equipamento nesta segunda-feira (23)
Rio de Janeiro|Do R7

A Seap (Secretaria de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro) informou que as tornozeleiras para monitoramento dos acusados de envolvimento na morte do cinegrafista Santiago Andrade, ocorrida durante uma manifestação em fevereiro do ano passado, estão disponíveis para o uso da dupla. Caio Silva e Fábio Raposo são acusados de acender e atirar o rojão que matou a vítima.
De acordo com a nota divulgada pela Seap, o fato já foi comunicado ao Ministério Público e à 8 Câmara Criminal do Rio que os mesmos podem ser encaminhados à partir desta segunda feira (23) para colocação do equipamento.
Os dois ativistas, ambos de 23 anos, foram liberados do Complexo Penitenciário de Gericinó, zona oeste do Rio, na última sexta-feira (20), sem o uso da tornozeleira. Por volta das 12h, eles deixaram o local dentro de carros, pois, segundo os advogados, não queriam sair a pé para não serem expostos pela imprensa.
Ao decidir pela liberdade da dupla, na quarta-feira (18), a Justiça determinou o cumprimento de seis medidas cautelares, entre elas, o monitoramento eletrônico.
Entenda o caso
Fábio Raposo Barbosa e Caio Silva de Souza são acusados de ter acendido o rojão que provocou a morte do cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Ilídio de Andrade, no dia 6 de fevereiro do ano passado, durante uma manifestação no centro do Rio. Presos há um ano, os dois respondiam por homicídio triplamente qualificado — motivo torpe, com uso de explosivo e mediante recurso que tornou impossível a defesa da vítima.
Na quarta-feira (18), a Justiça desclassificou a acusação de crime doloso, atendendo o recurso do defensor público Felipe Lima de Almeida, que representa um dos réus. A acusação de explosão seguida de morte foi mantida e, agora, Caio e Fabio vão poder aguardar o julgamento em liberdade.
Com a desclassificação, o processo sai da competência do 3º Tribunal do Júri e será redistribuído para uma das varas criminais comuns da capital. O promotor que receber o caso terá que oferecer uma nova denúncia. O MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro) anunciou que vai recorrer da decisão.
A Justiça também decidiu que os dois envolvidos na morte do cinegrafista, Fábio e Caio, terão que cumprir medidas cautelares. Entre elas, ficou determinado o comparecimento periódico ao juízo; proibição de acesso ou frequência a reuniões, manifestações, grupos constituídos ou não, bem como locais de aglomeração de pessoas de cunho político ou ideológico; proibição de manter contato com qualquer integrante do denominado Black Blocs; proibição de ausentar-se da comarca da capital; recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga, principalmente nos fins de semana e monitoramento eletrônico.
A filha de Santiago, Vanessa Andrade, se manifestou nas redes sociais após a decisão da Justiça de conceder liberdade aos ativistas. A jornalista escreveu um texto em tom de desabafo: "É difícil, é doloroso, depois de um ano sem Santiago a sensação de não poder fazer nada me corrói, me humilha".















