Morte de paciente com obesidade levanta debate sobre saúde
Luciano Borges, de 49 anos, aguardou transferência por decisão judicial não cumprida
Balanço Geral RS|Do R7
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Família de Luciano Costi vai à Justiça após demora na transferência que antecedeu sua morte
A família de Luciano Borges Costi vai questionar, na Justiça, a demora na transferência dele para um hospital da Capital.
Torcedor conhecido do Internacional, Luciano estava internado em Capão da Canoa, no Litoral Norte, com uma infecção generalizada, e morreu na manhã desta quarta-feira (12).
Na noite de terça-feira (11), duas ambulâncias e equipes médicas e dos bombeiros chegaram a ser mobilizadas para transferir Luciano ao Hospital de Clínicas, em Porto Alegre.
Ele pesava 380 quilos e enfrentava uma infecção generalizada.
O quadro, no entanto, se agravou, e a transferência acabou suspensa diante do risco elevado que o deslocamento representava.
Luciano morreu poucas horas depois.
Ele estava internado havia 19 dias no Hospital Santa Luzia, em Capão da Canoa.
Na quarta-feira passada, a Justiça havia determinado que Luciano fosse transferido, no prazo de 48 horas, para um hospital de alta complexidade, com o tratamento custeado pelo IPE-Saúde.
Segundo a defesa da família, pelo menos três hospitais de referência recusaram-se a receber o paciente, e a vaga só foi viabilizada um dia depois de a RECORD GUAÍBA mostrar o caso, quatro dias após o prazo estipulado pela Justiça ter se esgotado.
"O Judiciário, que tanto se critica, foi rápido... eles entenderam a urgência do caso", afirma o advogado da família, Márcio Tubino, que destaca que cada hora era decisiva no tratamento de Luciano.
O IPE-Saúde se manifestou no processo, alegando que sua obrigação não seria encontrar o leito, mas custear o atendimento, inclusive na rede privada.
Luciano deixa a mãe, um irmão e muitos amigos.
A morte também gerou repercussão entre torcidas organizadas de todo o país.
A Camisa 12, do Internacional, divulgou nota de pesar pela perda de um de seus integrantes mais queridos
Segundo o advogado da família, Luciano era reconhecido entre os colorados por seu grande coração: era sempre o primeiro a puxar uma ajuda ou organizar um bolão entre os amigos.Nota do IPE Saúde
O IPE Saúde lamenta profundamente o falecimento do segurado e se solidariza com seus familiares e amigos neste momento de dor.
O segurado estava assistido desde o dia 28 de julho pelo Hospital Santa Luzia, credenciado ao IPE Saúde.
Portanto, não houve negativa de atendimento ou de cobertura assistencial.
Após tomar conhecimento da necessidade de transferência, o Instituto atuou na busca de leito com capacidade na rede credenciada, independentemente da discussão judicial em andamento
Foram realizados contatos com diferentes hospitais, que informaram não dispor de capacidade técnica para receber um paciente com as características clínicas apresentadas.
Na segunda-feira (10), foi viabilizado um leito no Hospital de Clínicas, com confirmação na manhã de terça-feira (11), como consta na Guia de Autorização do paciente.
Entretanto, o quadro clínico havia se agravado, com necessidade de internação em UTI, impossibilitando a transferência naquele momento.
No mesmo dia, o IPE Saúde conseguiu a disponibilização de um leito de UTI no Hospital de Clínicas, mas, segundo entendimento do Hospital Santa Luzia, o paciente não apresentava condições clínicas para ser transportado.
O IPE Saúde esclarece que não interfere na gestão dos hospitais credenciados, na regulação de leitos nem no encaminhamento e transporte de pacientes.
Essas decisões são de responsabilidade dos estabelecimentos de saúde.
Diante da situação excepcional, o Instituto realizou todos os esforços que estavam ao seu alcance para viabilizar a transferência e o atendimento de maior complexidade, inclusive buscando alternativas na rede credenciada.
O IPE Saúde reitera sua solidariedade à família e lamenta profundamente o falecimento do segurado.
Nota da Secretaria da Saúde do Estado
A Secretaria da Saúde do Estado informa que Luciano Costi, que se encontrava internado no Hospital Santa Luzia, em Capão da Canoa, foi cadastrado no sistema Gerint, que regula o acesso aos leitos hospitalares no Estado do Rio Grande do Sul, no último domingo (9/8).
A transferência solicitada inicialmente era para um leito de enfermaria e, depois, para um leito de UTI.
O caso foi compartilhado com instituições de Porto Alegre e região.
No dia seguinte, o paciente teve piora clínica e foi transferido para leito de UTI da própria instituição.
Nesse mesmo dia, o Hospital de Clínicas de Porto Alegre aceitou a transferência, confirmada na manhã seguinte, dia 11, disponibilizando leito no Centro de Terapia Intensiva (CTI).
A transferência não ocorreu porque o paciente não tinha condições clínicas de ser transportado.
A transferência foi solicitada ao Gerint no dia 9, domingo, e a transferência para um leito de UTI, em função do agravamento do caso, foi aceita pelo Hospital de Clínicas no dia 10, segunda-feira.














