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Polícia Civil indicia sete PMs pela morte do agricultor Marcos Nörnberg, em Pelotas

A Polícia Civil gaúcha apresentou, nesta quarta-feira (9), em coletiva de imprensa no auditório da Cidade da Polícia, em Porto Alegre, o encerramento do inquérito que investiga a morte do agricultor Marcos Nörnberg, na madrugada de 15 de janeiro deste ano.

Cidade Alerta RS|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Sete policiais da Brigada Militar foram indiciados pela morte do agricultor Marcos Nörnberg em Pelotas.
  • A investigação descartou a legítima defesa e confirmou que os tiros partiram dos policiais.
  • Raquel Nörnberg, viúva da vítima, afirma que sua versão dos fatos foi validada e luta por justiça.
  • O caso aguarda análise do Ministério Público para responsabilização dos envolvidos.

 

Dezoito policiais participaram da ação, desencadeada a partir de uma informação falsa recebida da inteligência policial do Paraná, que apontava a propriedade como esconderijo de uma quadrilha, com carros roubados e armas. Diante da movimentação dos policiais, o agricultor teria acreditado que a casa estava sendo invadida por criminosos e pegou uma arma registrada. Os policiais arrombaram a porta e houve dezenas de disparos, inclusive de fuzil, atingindo Marcos na frente da esposa. Na época, o comando da Brigada Militar classificou o episódio como um "grande equívoco" e um desfecho trágico, provocado pela informação incorreta. A família, por outro lado, relata truculência durante a ação e disse que o casal teria confundido os policiais com assaltantes.

Sete policiais indiciados


A investigação foi concluída com o indiciamento de sete policiais militares pela morte de Nörnberg e pela tentativa de homicídio contra a viúva, Raquel Nörnberg. Segundo o diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Thiago Carrijo, a perícia identificou uma sequência de disparos ao longo de 28 segundos, com tiros fatais contra o agricultor a curta distância - cerca de dois metros. Apesar disso, o delegado afirmou que não foram encontrados elementos que caracterizassem uma execução deliberada.

Um ponto central da apuração foi o laudo de 218 páginas do Instituto-Geral de Perícias (IGP), produzido a partir de reprodução simulada dos fatos. A perícia não confirmou como disparos os dois ruídos que os policiais alegavam ter ouvido antes de reagir, o que afastou a tese de legítima defesa apresentada pela corporação. Segundo Carrijo, ficou tecnicamente comprovado que a primeira sequência de tiros partiu da Brigada Militar.


A Polícia Civil optou por não divulgar o número exato de disparos que atingiram o agricultor, nem detalhar a atuação individual de cada policial, em respeito à família.

Comando não foi indiciado


Os comandantes dos policiais envolvidos não foram indiciados. Segundo Carrijo, não houve determinação superior para que os agentes entrassem no imóvel ou disparassem - a autorização se limitou a um levantamento prévio no local. A decisão de entrar e atirar partiu dos próprios policiais presentes na ocorrência. Por isso, quatro agentes foram indiciados como coautores dos disparos, enquanto outros três, do setor de inteligência, responderão como partícipes pelo levantamento equivocado do endereço da ação.

O relatório final, de mais de 100 páginas, ainda passará por ajustes formais antes de ser enviado ao Ministério Público do Estado (MPRS).


Viúva pede responsabilização

Em entrevista, nesta quarta-feira, a viúva, Raquel Amorim Motta Nörnberg, de 52 anos, gerente de projetos, afirmou esperar que os envolvidos no homicídio do marido e na tentativa de homicídio contra ela sejam julgados pelo júri popular e responsabilizados pelos atos cometidos, dizendo ter grande expectativa com o resultado do trabalho da Polícia Civil.

Brigada Militar e defesa aguardam relatório

A Brigada Militar informou que ainda não teve acesso ao relatório final da investigação, nem aos nomes dos policiais indiciados, e que só poderá avaliar o caso individualmente após receber formalmente os elementos da apuração. Já a defesa dos policiais, representada pelo advogado Rafael Romeu, afirmou não ter sido intimada do laudo do IGP nem da conclusão que resultou no indiciamento, e informou que suas considerações serão apresentadas nos autos do processo, reafirmando o compromisso com o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa.

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