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Acusado de matar Bianca Consoli pode pegar pena de 40 anos nesta terça-feira

Debates e decisão dos jurados vão definir o futuro do motoboy Sandro Dota

São Paulo|Thiago de Araújo, do R7

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Sandro Dota vai conhecer a sua pena nesta terça-feira
Sandro Dota vai conhecer a sua pena nesta terça-feira

Os sete jurados reunidos para o julgamento do motoboy Sandro Dota vão decidir nesta terça-feira (17) a pena do réu, acusado de matar a universitária Bianca Consoli, de 19 anos, em setembro de 2011. Se condenado pelo homicídio triplamente qualificado (meio cruel, motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima) e estupro, a pena pode chegar a 40 anos de cadeia.

A pena máxima é o que o promotor Nelson dos Santos Pereira Júnior e o seu assistente, Cristiano Medina, devem pedir durante os debates entre acusação e defesa, que começam às 9 h desta terça, no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste da capital. Os dois responsáveis pela acusação acreditam que as provas são contundentes contra Dota pelos dois crimes.


— Tivemos uma instrução muito boa, as provas são claras e haverá condição de demonstrá-las aos jurados. O réu usou uma tática que não merece crédito, ele viu as provas e usou a mentira para tentar se justificar. A Bianca não o provocou e a versão dele não é crível. É o que vamos demonstrar: que ele cometeu ambos os crimes (assassinato e estupro).

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Tão logo comece o segundo dia de julgamento, defesa e acusação terão noventa minutos para expor as suas posições e suas provas aos sete jurados (quatro homens e três mulheres). Em seguida, após um recesso para o almoço, as duas partes terão mais uma hora cada para réplica e tréplica. Ao final disso, o júri se retira para uma sala secreta, onde define a culpabilidade de Dota pelo homicídio (já confessado pelo réu em plenário) e pelo estupro (o que ele nega).


O advogado de defesa Mauro Otávio Nacif, que compõe a equipe de seis defensores do motoboy, explicou que a tática é aquela já anunciada semanas antes do julgamento. Ou seja, de Dota ser condenado apenas pelo homicídio, mas com atenuantes. Ele admite, porém, que se o réu for condenado por todas as acusações, a pena deve mesmo alcançar os 40 anos de prisão.

Outro advogado de Dota, Aryldo de Oliveira de Paula, crê que é possível que ele não seja condenado pelo abuso sexual da vítima.


— A própria perita (a legista Angélica de Almeida) disse que não há prova do estupro, que existe uma lesão na região anal da vítima, mas não se sabe como, quando nem quem a causou. Quanto ao homicídio, ele confessa e talvez eu até peça uma pena maior do que a própria Promotoria.

Réu afirmou que matou por medo de morrer

Durante o seu interrogatório, na noite desta segunda-feira (16), Sandro Dota alegou que temia morrer e perder a mulher, Daiana Consoli, irmã de Bianca, como justificativas para ter cometido o assassinato. Ele reafirmou que foi provocado pela universitária várias vezes e que não tinha qualquer intenção de matá-la, tampouco estuprá-la, uma vez que Bianca “não fazia o seu tipo”.

— Depois que rolamos pela escada, a Bianca correu para a varanda e se ela saísse lá e gritasse, eu seria linchado. Eu iria morrer, ali na região tem bandidos de uma facção criminosa. Eu tinha pavor de cadeia, se eu voltasse pra uma eu não ia aguentar. Fiz tudo isso também pra não perder a Daiana, a mulher que eu amava.

O julgamento

Segundo os assessores do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), das oito testemunhas arroladas pela acusação, duas foram dispensadas. Já a defesa dispensou seis das nove previstas. O julgamento será decidido pelo Conselho de Sentença, que tem quatro homens e três mulheres em sua formação.

A primeira testemunha a ser ouvida foi Marta Ribeiro, mãe de Bianca. Em seu depoimento ela respondeu apenas questões do promotor, os advogados de defesa abriram mão das perguntas. Em seu depoimento ela contou sobre a rotina de sua filha e sobre Sandro ter uma cópia da chave de sua residência. Daiana Consoli, irmã da vítima e ex-mulher de Sandro, foi a segunda a depor. Contou sobre o comportamento de Sandro. Disse que ele era possessivo e ciumento.

O terceiro e último a depor, antes do intervalo, foi Bruno Barranco, namorado de Bianca na época dos fatos. Bruno disse que começou a desconfiar de Sandro Dota alguns dias depois do crime e disse que nada que o réu tenha falado o deixou mais aliviado.

Maurício Vestyik, policial responsável pela investigação do caso, e Gisele Capello, delegada, foram ouvidos e disseram ter certeza de que Sandro Dota era responsável pela morte e também pelo estupro de Bianca.

As peritas Angélica de Almeida, Ana Cláudia Pacheco e Alaide do Nascimento Mariano depuseram de maneira breve, reafirmando as informações que julgamento anterior.

Assista ao vídeo:

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