Apenas transtornos mentais graves explicam recentes mortes em família em São Paulo, dizem especialistas
Segundo psicólogo, casos podem influenciar o surgimento de novas tragédias
São Paulo|Do R7

Os assassinatos de quatro famílias na Grande São Paulo em menos de dois meses chamaram atenção da população pela proximidade e pelos autores do crime: foram os próprios pais ou filhos os responsáveis pela violência. Com 16 mortos, as investigações continuam sem desfecho. O R7 conversou com especialistas para tentar entender melhor o que poderia levar alguém a assassinar a própria família.
A sequência de mortes entre familiares foi: cinco pessoas da família Pesseghini encontradas mortas em casa, na Vila Brasilândia, sendo o principal suspeito o filho do casal, Marcelo, que também teria se matado; em Cotia, na Grande SP, o pai é suspeito de envenenar a mulher e os filhos; no Butantã, zona oeste da capital, uma mãe é suspeita de ter assassinado as duas filhas adolescentes, de 13 e 14 anos, e tentar se matar; e, na madrugada desta terça-feira (17), em Ferraz de Vasconcelos, uma mãe e quatro filhos foram assassinados, possivelmente envenenados.
Para Antonio Serafim, psicólogo que atua no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas e na Umesp (Universidade Metodista de São Paulo), em geral, crimes como esses têm relação com distúrbios mentais dos autores. Pessoas que já possuem histórico de transtornos e são influenciadas por algum fenômeno externo, como problemas financeiros ou uma briga. O assassinato de familiares seria um “mecanismo para não gerar decepção”.
— Envergonhado, o assassino não suporta perder a boa imagem que ele acredita que tem diante de todos. Então, dentro do seu transtorno mental, ele cria esse mecanismo de eliminar a família, como uma forma de não deixar vestígios, conflitos e decepção.
O psiquiatra forense Guido Palomba concorda com a tese e acredita que ela seja real no caso Pesseghini, no assassinato das irmãs no Butantã e da família em Cotia. Segundo ele, no caso da mãe que matou as filhas, “não há outra explicação possível”.
— E essa doença grave faz parte dela [suspeita], ela nasceu assim. Não são reações a vivências dolorosas ou apenas frustrações, mas doença mental grave. (...) Todo suicídio é um estado de doença mental, porque você está se voltando contra um instinto de preservação.
Influência em novos crimes
Para Serafim, o destaque atingido pelos casos pode impulsionar outros crimes semelhantes.
— Na efervescência da divulgação desses casos, pessoas com características paranoicas e persecutórias acabam se contaminando e podem reproduzir esse comportamento violento.
Segundo Palomba, a divulgação pode, sim, influenciar, mas não é um fator decisivo para que casos semelhantes aconteçam.
— Não é o fato de uma pessoa ter praticado um crime que vai determinar que outra também o faça. Mas sabe quando o vasilhame está muito cheio e você põe mais uma gotinha de água e transborda? Ou seja, não tem força para desencadear, mas pode ser mais um complemento. Nada mais que isso.













