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Após reconhecimento da família em hospital, jovem morto por PM é dado como desconhecido no IML e atrasa velório

Problema durante transporte entre hospital e IML impediu velório na tarde desta quarta-feira

São Paulo|Gustavo Basso, do R7

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Favela, Moinho
Favela, Moinho Gustavo Basso/R7

Assim que tiveram a oportunidade de ver o corpo do jovem de 19 anos, a mãe, Maria Odete de Sousa, e a irmã, Letícia de Sousa, reconheceram Leandro de Sousa Santos. O rapaz já chegou morto, às 11h14, ao hospital, após ser agredido e baleado por policiais na cozinha de uma casa na favela do Moinho, no centro de São Paulo. Após reconhecê-lo, Maria Odete assinou documento oficializando. Ainda assim, Leandro deu entrada no IML (Instituto Médico Legal) como “desconhecido”, o que obrigou a família a fazer um novo reconhecimento do jovem, que tem os dentes quebrados e marcas de agressão no rosto, além de pelo menos três tiros visíveis no abdômen.

No boletim de ocorrência registrado pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) antes que a família tivesse acesso ao corpo, ainda na terça-feira, os investigadores o descreveram a “vítima desconhecida” como “rapaz de cor parda, cerca de 1,75m de altura, magro, cabelo curto e preto, apresentando ter entre 22 e 25 anos. No braço direito ele possuía uma tatuagem escrita ‘Maria Odete’” - o nome da mãe.


Maria Odete e Letícia de Sousa já haviam estado na Santa Casa logo após o rapaz ser retirado pelos fundos da favela por policiais em uma kombi com identificação da prefeitura de São Paulo. O portão por onde ele foi retirado, assim como Lucimar Oliveira, dona da casa onde foi morto, permanece sempre fechado com cadeado, inclusive no último grande incêndio na favela, em 2012, quando 80 barracos queimaram e uma pessoa morreu.

Na primeira visita, as familiares foram impedidas de ver o rapaz. Elas só tiveram acesso ao corpo por volta das 16h da tarde, quase cinco horas após sua morte segundo informação do hospital, com a intervenção do vereador Eduardo Suplicy (PT), presidente da comissão de direitos humanos da Câmara dos Vereadores.


Mesmo após o novo reconhecimento no IML, o Leandro teve de passar por reconhecido oficialmente por impressão digital, uma vez que a família não tem seu documento de identidade. O processo, que envolveu o envio de dados da Secretaria de Segurança Pública, responsável pelos documentos de identidade no Estado de São Paulo, atrasou ainda mais a liberação. 

Mãe e irmã permaneciam na noite desta quarta-feira tentando resolver as pendências burocráticas que impediam a liberação do corpo. Às 19h30, a família, através de uma vaquinha, conseguiu levantar R$ 450 para pagamento de uma taxa ao serviço de verificação de óbito, por causa do horário, necessária para que o velório fosse feito com caixão aberto. No entanto, segundo a equipe do vereador, que acompanhou o desenrolar do processo, ainda não havia a liberação porque seria necessário um carro especial para o transporte. A família espera que o problema seja resolvido ainda nesta quarta-feira, uma vez que caso fosse feito o transporte na quinta-feira, ele deveria durar cerca de meia hora e logo ser encaminhado para o cemitério da Vila Formosa, onde será sepultado.


O serviço funerário da Prefeitura de São Paulo garantiu o sepultamento gratuito pelas condições financeiras da família.

Dia de espera


A quarta-feira foi de espera entre os moradores da favela do Moinho. A todo momento alguém divulgava um novo boato sobre a vinda do corpo de Leandro para o velório e até mesmo de novas operações policiais na comunidade.

Já no período da manhã a pequena capela montada na viela principal do Moinho foi preparada para receber a cerimônia de homenagem, enquanto moradores e jornalistas buscavam informações. Um protesto que estaria marcado para após o velório, pedindo justiça às autoridades, também acabou sendo adiado.

Segundo vizinhos e amigos, Leandro era usuário frequente de drogas e álcool, mas não tinha envolvimento com o tráfico de drogas e não possuía arma de fogo. Eles descrevem como violenta a ação da PM realizada na manhã de terça-feira, com relatos de ameaças, invasões de domicílio, agressões, além da morte de Leandro de Sousa.

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