São Paulo Busca por traficante André do Rap começou há 3 meses, diz delegado

Busca por traficante André do Rap começou há 3 meses, diz delegado

Suspeito de comandar envio de drogas de São Paulo para Europa foi preso na manhã deste domingo, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro

Lancha de André do Rap, apreendida em Angra

Lancha de André do Rap, apreendida em Angra

Polícia Civil do Estado de São Paulo

A Polícia Civil de São Paulo iniciou a busca pelo suposto traficante internacional de drogas André de Oliveira Macedo, conhecido como André do Rap, e outros suspeitos há três meses, e contou com apoio de agentes internacionais.

A informação foi dada pelo delegado Fábio Pinheiro Lopes, da Divisão Antissequestro do Dope (Departamento de Operações Policiais Estratégicas), em entrevista coletiva.

André do Rap foi preso nesta domingo (15), em uma mansão em Angra dos Reis, na Costa Verde fluminense. Ele estava foragido desde 2014, sob acusação de comandar o esquema de envio de drogas da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) à Europa, principalmente à Itália, através de navios que saem do Porto de Santos, no litoral sul paulista.

Leia também: PF procura membros do PCC acusados de exportar cocaína

Outros dois suspeitos que não tiveram a identidade divulgada foram presos devem ficar na cidade de São Paulo. A polícia investiga uma possível ligação do membro do PCC com a máfia italiana.

"Dois chefes da 'Ndrangheta, que é a máfia da Calábria (no sul da Itália), foram presos há 40 dias na Baixada Santista pela Polícia Federal. A gente acha que pode ter elo com ele (André do Rap)", afirmou o delegado Fábio Pinheiro, responsável pelas prisões.

De acordo com o delegado, André do Rap é um dos principais líderes do PCC no tráfico internacional de drogas. "Não tem só uma quadrilha. Dentro do PCC tem vários que mandam droga para fora", disse Pinheiro. "Ele a gente acredita que seja responsável por um desses grupos."

O delegado lembrou que um dos grupos foi responsável pelo assassinato de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, que era considerado o principal chefe do PCC fora da cadeia. Gegê e o seu comparsa, Fabiano Alves de Souza, o Paca, foram mortos em uma emboscada em um território indígena em Aquiraz, na região metropolitana de Fortaleza, em fevereiro do ano passado.

A polícia investiga se outros ramificações do PCC controlam o tráfico internacional no Porto de Santos.

Pinheiro explicou que a Polícia Civil descobriu o paradeiro de André do Rap ao investigar o dono de uma lancha avaliada em R$ 6 milhões. Segundo o delegado, a embarcação estava em nome de uma empresa cuja sede é um casarão abandonado no centro de Santos.

"Ela está em nome de um empresário, que tem um moto CG", afirmou o delegado. "Como um cara que tem uma moto CG tem uma lancha de R$ 6 milhões? A gente acredita que ele (André do Rap) usava esses laranjas para lavar o dinheiro."

Além da lancha, um helicóptero que estava alugado pelo traficante foi apreendido pela polícia e levado ao Aeroporto Campo de Marte, na zona norte da capital. Nenhuma arma foi encontrada na casa em que André do Rap estava em Angra.

André do Rap teve a prisão temporária decretada em abril de 2014 junto com outros dez suspeitos, após a deflagração das Operações Hulk e Overseas pela Polícia Federal. Ele era apontado como líder do PCC na Baixada Santista, com ligação com traficantes da zona noroeste de Santos e do Morro Nova Cintra.

As investigações, à época, apontavam que traficantes tinham linha de fornecimento de cocaína entre a Bolívia e São Paulo, e haviam feito uma aliança com o PCC da Baixada Santista para conseguir uma rota para exportar a droga.

A facção, que atua nos presídios paulistas, havia cooptado pessoas que trabalhavam em postos aduaneiros na zona portuária para trabalhar para o esquema, segundo a polícia.