Com janeiro seco, número de queimadas em SP dispara e bate recorde em 15 anos
Inpe detectou 98 focos de incêndio no último mês, quase o triplo do registrado em 2013
São Paulo|Fernando Mellis, do R7

A falta de chuvas, o calor e a baixa umidade do ar no Estado de São Paulo em janeiro fizeram com que o número de queimadas fosse o maior registrado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) desde quando a série de medições teve início, há 15 anos. No mês, ocorreram 98 focos de incêndio, aumento de 172% em relação ao mesmo período de 2013.
O pesquisador e coordenador do departamento de Monitoramento de Queimadas e Incêndios do Inpe, Alberto Setzer, diz que é preciso observar que em comparação com os outros meses, o número não tem peso estatístico significativo na contagem anual. Mas, analisado isoladamente, mostra uma anormalidade.
— Dezembro e janeiro são os meses com os menores números de queimadas, porque é verão, mês de chuva, quando se queima muito pouco. Então, de certa forma, o que esse dado está mostrando é que, por termos um janeiro muito seco, quase sem precipitação e muito quente no Estado de São Paulo, nesse contexto, usou-se mais fogo e se queimou mais vegetação do que nos outros anos.
Ele ainda acrescenta que praticamente todas as queimadas são provocadas por pessoas. Os incêndios em áreas de mata causam danos permanentes à vegetação nativa.
— Sempre o foco de incêndio deve preocupar porque a grande maioria desses focos que a gente detecta são ilegais. O Código Florestal Brasileiro proíbe o uso do fogo, para usá-lo você teria que ter uma autorização do Ibama, etc., coisa que praticamente ninguém faz.
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Interior lidera
Dados do Inpe mostram que das 98 queimadas, 80 aconteceram no interior; 17 no litoral, incluindo a Baixada Santista; e uma na Grande São Paulo. As cidades que mais registraram focos de incêndio foram: Praia Grande, Cubatão, Morro Agudo, Barretos e Botucatu. Cada uma delas teve cinco casos.
O instituto também monitora o risco de queimadas nos próximos dias. O estudo é feito com base nos volumes de chuva, temperatura, umidade relativa do ar e velocidade do vento. Na última sexta-feira (31), a previsão indicava risco elevado até o dia 5, principalmente nas regiões central e centro-oeste do Estado.















