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Como evitar 'efeito contágio'? Psicólogos comentam influência da violência após novo ataque a escola

Estudante foi morta e três alunos ficaram feridos após disparos dentro de escola estadual em Sapopemba, na zona leste de SP

São Paulo|Do R7

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Carro da perícia chega à Escola Estadual Sapopemba, alvo de ataque a tiros
Carro da perícia chega à Escola Estadual Sapopemba, alvo de ataque a tiros

Após mais um ataque dentro de escolas, que, desta vez, terminou com uma estudante morta e três alunos feridos em Sapopemba, na zona leste de São Paulo, ressurge a preocupação com o "efeito contágio" que casos como esse podem ter entre crianças e adolescentes.

Psicólogos e especialistas ouvidos pelo R7 em diversas ocasiões falam como a exposição a cenas de violência, além da divulgação de informações e imagens relacionadas aos suspeitos em casos de repercussão nacional, tende a influenciar potenciais novos autores a planejarem e a praticarem atos de violência similares.

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Em março deste ano, nos dias seguintes ao ataque à Escola Estadual Thomázia Montoro, na zona oeste da capital paulista, pelo menos 20 novos casos de ameaças de morte e de porte de armas por alunos no sistema educacional ocorreram em São Paulo, no Rio de Janeiro, na Paraíba e em Mato Grosso do Sul.

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“Se observarmos os ataques, são sempre parecidos com algum outro que já ocorreu, e muitas vezes baseado nesses, como no de Suzano, por exemplo”, afirma Elaine Alves, psicóloga com pós-doutorado em luto, emergências e desastres do Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo).

“O jovem vê um comportamento que funciona e acaba imitando para atingir algum fim de ordem emocional, de acolhimento ou de valorização social. Isso é muito mais forte entre crianças e adolescentes, que são mais influenciáveis. Já os adultos têm a identidade mais fortalecida”, explica Joana Vartanian, doutora em psicologia clínica pela USP.

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Como evitar o 'efeito contágio'?

Segundo especialistas, uma das maneiras de evitar o efeito contágio é não oferecer protagonismo ao aluno infrator, impedindo uma possível glorificação pelos jovens. “O perpetrador do ataque ganha fama e visibilidade dentro da invisibilidade. As imagens vão levar subsídios [a potenciais ataques]”, diz Elaine Alves.

Leila Tardivo, professora no Instituto de Psicologia da USP, acredita que o caminho para impedir a perpetuação do efeito contágio não é a proibição da exibição desse tipo de evento nos noticiários.

Casos extremos de violência nas escolas devem ser discutidos; porém, sem dar notoriedade ao responsável pelo ataque. A questão deve ser veiculada de forma mais ampla e analítica, como nos casos de suicídio.

“As crianças estão resolvendo os problemas por meio da violência. Se a comunidade e os pais são violentos, esse comportamento será reproduzido. É preciso trabalhar por uma cultura de paz nas escolas, além de ter uma visão abrangente acerca do problema. É uma questão social”, reitera a professora.

Em meio a um cenário crescente no número de casos de ataque, a tendência é que mais eventos aconteçam, lamenta Cleo Garcia, mestranda em educação na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e especialista em Justiça restaurativa.

"Não sabemos quando, mas ocorrerão. Há uma conjunção de fatores que observamos que estão implicando nesse crescimento extremamente preocupante", afirma a pesquisadora, ao citar a radicalização do discurso de ódio nas redes sociais e os fóruns extremistas, onde adolescentes são cooptados.

Grupos como esses, segundo Cleo, proporcionam a esses adolescentes "acolhimento e reconhecimento, que eles geralmente não têm aqui fora, estimulando-os a praticarem os ataques".

Pesquisa elaborada pela Unicamp revela o perfil dos autores desse tipo de ataque. Eles são predominantemente brancos, jovens e homens com comportamento misógino, ou seja, machistas, agressivos e favoráveis a uma visão da mulher como submissa.

Outros traços marcantes de sua personalidade são o gosto pela violência e o culto às armas, bem como uma espécie de isolamento social, com relações sociais e grupos restritos. A evasão escolar também se repetiu entre os agressores avaliados.

Ataque a escola em Sapopemba, na zona leste de SP, se soma a outros atentados a alunos; relembre

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