Logo R7.com
RecordPlus

Corpo de menino boliviano morto em assalto será enterrado hoje na Bolívia

Criança foi baleada na cabeça, no colo da mãe, porque chorava muito

São Paulo|Do R7

  • Google News
Brayan chegou a dar aos assaltantes moedas que tinha economizado
Brayan chegou a dar aos assaltantes moedas que tinha economizado

O corpo do menino Brayan Yanarico Capcha, de cinco anos, morto com um tiro na cabeça durante um assalto, será enterrado nesta terça-feira (2) na Bolívia. Os pais do garoto, Verônica Capcha Mamani e Edberto Yanarico Capcha Mamani, retornaram ao país junto com o corpo do filho e relataram não querer voltar para o Brasil. A família deixou o País na tarde desta segunda-feira (1º) com destino ao aeroporto de Santa Cruz de la Sierra.

Os três suspeitos que já foram presos pela polícia disseram que foram assaltar os bolivianos porque sabiam que eles não tinham conta bancária e guardavam dinheiro em casa. O menino Brayan Yanarico Capcha, de cinco anos, foi morto com um tiro na cabeça porque chorava muito e os pais não tinham mais dinheiro. A quadrilha roubava motos na zona leste e na marginal Tietê.


Neste domingo (30), a polícia prendeu o terceiro suspeito de participar do bando que matou Brayan. Trata-se de um adolescente de 17 anos, que chegou a ser apontado como o autor do tiro. Mas ele e os outros dois presos afirmaram à polícia que o autor do disparo foi Diego Freitas Campos, de 20 anos. À polícia, disseram que "não entenderam" a atitude do comparsa, que está foragido. Também confessaram ter tentado matar o comparsa. Ao ser detido, o menor carregava R$ 990.

O outro foragido, além de Campos, é Wesley Pedroso, também de 19 anos. Neste domingo, a polícia chegou a entrar na casa onde os dois estavam escondidos, perto do Parque do Carmo, na zona leste de São Paulo, mas eles fugiram pulando o muro. A casa tinha três pit bulls, o que dificultou o trabalho da polícia.


Antes de ser baleado, menino boliviano entregou aos criminosos dinheiro de seu presente de aniversário

Segundo o delegado Antônio Mestre Junior, o adolescente e outros dois acusados que já estavam presos — Paulo Henrique Martins, de 19 anos, e Felipe dos Santos Lima, de 18, o Tripa — confessaram o crime. Campos fugiu em maio do CDP (Centro de Detenção Provisória) Franco da Rocha, onde cumpria pena por roubo.


O crime

Na madrugada de sexta-feira (28), o bando invadiu a casa dos pais de Brayan, em São Mateus, na zona leste, para fazer um assalto. Os bandidos já haviam pegado R$ 4,5 mil, quando o menino começou a chorar. Irritado com a reação da criança e com o fato de os pais não terem mais dinheiro, Diego Freitas Campos, de 19 anos, teria atirado na cabeça de Bryan. Antes, o menino implorou: "Não quero morrer, não matem minha mãe". Mas o ladrão, que havia mandado a mãe calar a criança, apertou o gatilho.


Antes de levar um tiro na cabeça, o menino Brayan havia entregado aos assaltantes as moedinhas que mantinha em um pequeno cofre em casa. Segundo a advogada Patrícia Veiga, representante do Consulado da Bolívia que ajudou a família do garoto a resolver a burocracia relacionada ao traslado do corpo, Brayan chegou a dizer "toma la plata (pegue o dinheiro)" aos bandidos ao entregar sua pequena economia — o que não evitou que fosse morto.

Outros bolivianos que estavam no velório do garoto neste domingo (30), no cemitério São Judas Tadeu, em Guarulhos, fizeram uma vaquinha para arrecadar fundos à família, que voltará para a Bolívia sem um tostão, uma vez que a economia feita em seis meses, R$ 4,5 mil, foi levada. Os conterrâneos dos pais do garoto foram ao velório em ônibus alugados pelo consulado, que também vai arcar com os custos do traslado do corpo de volta à Bolívia. O embarque deve ser feito nesta segunda-feira (1º).

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.