Defesa diz que Elize Matsunaga não responderá às perguntas da acusação mesmo que for a júri popular
Para Luciano Santoro, acusação formou uma tese de que o crime foi premeditado e cruel
São Paulo|Por Vanessa Beltrão Do R7

O advogado de Elize Matsunaga, Luciano Santoro, informou que a sua cliente, mesmo se for levada a júri popular, não responderá às perguntas da acusação. A bacharel em direito é acusada de matar e esquartejar o executivo da Yoki, Marcos Matsunaga.
— Ela vai continuar a não responder a acusação. Vai responder a quem quiser saber a verdade. Para o magistrado, ela responde, se algum jurado tiver alguma questão e ela for ao tribunal do júri, ela responde. Para a acusação, enquanto não estiver buscando a verdade, não responderá.
Hoje, Elize falou pela primeira vez em juízo e se recusou a responder aos questionamentos do Ministério Público e do assistente de acusação. Ela só atendeu às perguntas do juiz.
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O promotor do caso, José Carlos Consenzo, informou que Elize, mesmo se não ficasse em silêncio, não conseguiria responder 10% dos seus questionamentos.
— O depoimento dela, ou pelo menos a forma que ela se mantém, é absolutamente inverídica, um amontoado de mentiras. Por uma estratégia da defesa, ela preferiu não responder àquilo que eu perguntei.
Elize Matsunaga criou cobra em apartamento onde marido foi esquartejado
Questionado se manter essa postura de silêncio poderia prejudicar a sua cliente, Santoro disse que de “forma nenhuma”.
— Desde o primeiro dia, a acusação formou uma tese de que o crime foi premeditado e praticado de forma cruel. Isso não ocorreu e ela não vai responder nenhuma questão dessa forma.
O direito de não responder às perguntas da acusação, inclusive durante um tribunal do júri, é permitido por lei.
Segundo a Defesa, Elize confirmou em depoimento que matou o marido sozinha após ser agredida.
— Um momento de muita agressão com o Marcos a agredindo verbalmente, já tinha dado um tapa no rosto dela. Ela não aguenta e desfere um tiro nele.
Elize Matsunaga se preocupou com vinhos caros na reconstituição do crime
A defesa também pediu a exumação do corpo de Marcos Matsunaga. De acordo com Santoro, o objetivo é comprovar que o crime não foi praticado com crueldade.
— A alegação do perito de que Elize teria iniciado a segmentação do Marcos em vida é uma acusação inverídica.
A nova necropsia no corpo do empresário deve acontecer nos próximos dias. A perícia servirá para determinar o momento da morte da vítima. Se o executivo morreu em função do tiro na cabeça ou se estava vivo ao ser esquartejado.
Possível Amante
Nesta quarta-feira (30), também foi interrogada Nathalia Villa Real Lima que seria o pivô da briga do casal. Na versão da defesa, ela não foi o motivo do homicídio.
O caso
O empresário, herdeiro da Yoki Alimentos, foi encontrado morto e esquartejado na Estrada dos Pires, numa região rural, em Cotia, na Grande São Paulo, no dia 27 de maio 2012. O corpo foi encontrado, cerca de uma semana após o desaparecimento, cortado em pedaços e colocado em sacolas plásticas.
A mulher do empresário, Elize Matsunaga, 30, confessou o crime e o esquartejamento no dia 6 de junho. A Polícia Civil afirmou que o assassinato pode ter tido motivação passional.
De acordo com as investigações, Elize suspeitava que o marido estivesse tendo um caso e contratou um detetive particular para segui-lo. O profissional confirmou a traição. De acordo com a versão da mulher, Matsunaga foi morto com um tiro após uma discussão entre o casal, onde ela teria sido agredida. Depois, ela esquartejou sozinha o corpo e guardou os pedaços em sacolas plásticas.
A câmera de segurança do elevador do prédio onde ela vivia com o marido mostrou Elize saindo de casa com três malas. Ela confirmou à polícia que o corpo do marido estava nas malas.
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