Defesa vai pedir liberdade de policiais presos em operação que revelou esquema de extorsão
Suspeitos argumentam que estariam sendo vítimas de retaliação de traficantes
São Paulo|Do R7
O advogado Ralph Tórtima Stettinger Filho, que defende os agentes Renato Teixeira Pinto e Mark de Castro Pestana, detidos durante operação do Ministério Público e da Corregedoria da Polícia Civil, vai tentar revogar a prisão temporária dos dois suspeitos. O pedido deve ser apresentado à Justiça na quinta-feira (18). Eles estão entre os oito policiais presos durante a ação, que revelou um suposto esquema de cobrança de propina a traficantes. Cinco ainda estão foragidos.
Dos 13 mandados de prisões expedidos, onze foram contra integrantes ou ex-integrantes do Denarc (Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos). Entre os detidos está o supervisor da unidade de investigações do Denarc, delegado Clemente Castilhone Junior, que está sendo ouvido pelos promotores do caso nesta quarta-feira (17). Teixeira e Pestana atuavam no 10º Distrito Policial de Campinas e não tinham vinculação com o departamento.
Stettinger Filho explicou porque os clientes, que tiveram prisão temporária de cinco dias decretada, mantiveram-se em silêncio durante depoimento nesta manhã.
— Eles fizeram o uso constitucional de permanecer em silêncio, uma vez que a defesa somente teve acesso às interceptações na data de ontem (terça-feira), por volta das 18h. Então, foi para que os defensores tivessem conhecimento de toda a prova.
Os dois respondem pelo crime de corrupção. Segundo o advogado, eles são acusados de deixar de realizar ações policiais em determinados locais em troca de uma espécie de “mensalinho”. Stettinger Filho diz que os dois argumentam que estão sendo vítimas de retaliação.
— O que eles dizem é que realizaram inúmeras ações policiais naquela região, com a prisão de diversos traficantes, e que eles acreditam que possa ser uma represália.
Os demais policiais investigados são suspeitos de roubo, corrupção e extorsão mediante sequestro. De acordo com o promotor Amauri Silveira Filho, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado) de Campinas, durante diferentes momentos da apuração, houve vazamento de informações.
Investigação
A investigação foi instaurada pelo MP em outubro de 2012 e tinha, inicialmente, como objeto a atuação de traficantes, ligados a uma organização criminosa, que atuam na região de Campinas, segundo informou o promotor Amauri Silveira Filho, em entrevista coletiva na segunda-feira (15).
— No curso do trabalho, foi detectado indicativos de possíveis desvios de condutas por parte de policiais. Como as situações eram conexas, tornou-se impossível a continuidade da investigação referente ao tráfico sem uma atenção específica sobre os desvios dos policiais, os fatos foram imediatamente comunicados à Secretaria de Segurança Pública e à Corregedoria da Polícia Civil, que, desde então, vem acompanhando o trabalho do Ministério Público e dando todo o suporte necessário.
De acordo com o promotor, ao longo dos últimos meses, os esforços foram direcionados em duas frentes distintas: a investigação em relação à organização criminosa e a identificação dos desvios praticados por policiais e quem seriam eles. Ele explica o motivo das prisões dos agentes suspeitos:
— Ocorre que, em um determinado momento da investigação, por conta de algumas condutas praticadas por policiais específicos, tornou-se impraticável a continuação do trabalho do Ministério Público, porque várias ações foram tomadas por esses policiais no sentido de prejudicar a apuração. Então, tentou-se forjar evidências, constranger vítimas e testemunhas. Daí, veio a necessidade de procurarmos o poder Judiciário para solicitar medida mais contundente, que é a prisão temporária dos policiais.













