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Elize Matsunaga fica calada no segundo interrogatório sobre assassinato do marido

Decisão se ela vai ou não a júri popular deve sair em dez dias

São Paulo|Do R7

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Elize Matsunaga (foto) confessou ter matado o marido durante uma briga do casal, em maio de 2012
Elize Matsunaga (foto) confessou ter matado o marido durante uma briga do casal, em maio de 2012

O Tribunal de Justiça de São Paulo informou que Elize Araújo Kitano Matsunaga exerceu o direito de ficar calada durante o segundo interrogatório no processo da morte do executivo da Yoki, Marcos Matsunaga, em que ela é ré. A audiência ocorreu no começo da tarde desta terça-feira (25), no Fórum Criminal da Barra Funda e durou cerca de 40 minutos.

O juiz Adilson Paukoski Simoni deu dez dias para que acusação e defesa apresentem eventuais manifestações. Somente após esse período ele vai decidir se a viúva do empresário da Yoki vai ou não a júri popular.


Nesta terça-feira, o advogado Luciano Santoro, que defende Elize, disse que o laudo de exumação do corpo do empresário, divulgado em abril, fez com que a cliente dele enxergasse a “possibilidade de um julgamento justo”.

— Depois que veio a exumação, a confiança aumentou. Imagina você falar uma coisa para o juiz, você tem certeza daquilo que está falando, mas as provas estavam indicando o contrário? Era como se estivesse dando um murro em ponta de faca. A sensação que ela teve depois que veio o laudo da exumação foi o contrário. Foi de que ainda há possibilidade de um julgamento justo, ainda há possibilidade que seja julgada pelo que fez, e não por outros fatores ou outras questões.


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O resultado da exumação provocou interpretações distintas por parte da defesa e da acusação. Os defensores vinham contestando o laudo necroscópico, que afirmava que a vítima ainda estava viva ao ser degolada. Este detalhe rendeu mais uma qualificadora — meio cruel — a Elize, que foi acusada de homicídio doloso triplamente qualificado, além de ocultação de cadáver. 


Na análise de Luciano Santoro, o laudo da exumação foi favorável por indicar que Marcos Matsunaga estaria inconsciente logo após ter levado o tiro na cabeça, portanto, não teria sofrido ao ser esquartejado. Já para a acusação, o laudo foi inconclusivo. O documento diz que a “avançada putrefação impediu identificar qualquer tipo de reação vital” e enfatizou que o exame não foi capaz de determinar por quanto tempo a vítima permaneceu viva após ser baleada.

Os dois laudos, porém, apresentam uma convergência: ambos indicam que a trajetória da bala foi descendente, colocando em xeque a versão apresentada pela bacharel em direito. Ao ser interrogada pela polícia, ela afirmou ter atirado em Marcos, quando ambos estavam de pé. Como tem estatura menor do que a da vítima, o trajeto percorrido pelo projétil teria que ser de baixo para cima. A defesa tem uma justificativa: sugere que o "alvo era móvel", que o empresário não ficou parado "esperando o tiro".


Evitar nulidade

O novo interrogatório foi pedido pelo juiz, justamente devido à exumação do corpo, solicitada pela defesa. O resultado do exame é mais uma prova produzida, portanto, o réu tem direito de se manifestar sobre ela. Como o interrogatório do acusado precisa ser o último ato da fase de instrução do processo, Elize foi convocada novamente. A medida evitaria futuras alegações de nulidade.

Durante o interrogatório desta terça-feira, o promotor José Carlos Cosenzo não estará presente em razão de compromissos na capital federal. O Ministério Público será representado pela promotora Mildred de Assis.

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