Estiagem histórica: economia não afasta racionamento de água, diz Gaema
Sabesp continua usando banco de águas do Cantareira, pois reservatório está cada dia mais baixo
São Paulo|Do R7

A economia de 2.000 litros de água por segundo obtida com o bônus dado pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) para usuários do Sistema Cantareira não é suficiente para afastar a necessidade de medidas emergenciais de redução de consumo, como o rodízio ou racionamento. A opinião é do Gaema (Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente), do Ministério Público Estadual em Piracicaba, que reúne quatro promotores de Justiça, como o promotor Ivan Carneiro Castanheiro.
— É uma economia importante, mas muito menor do que se precisa.
Segundo ele, apesar da redução obtida no consumo, a Sabesp continua usando o banco de águas do Sistema Cantareira, já que o nível do reservatório está mais baixo a cada dia — nesta terça-feira (4), voltou a baixar para 16,2%.
— A manutenção das elevadas retiradas pela Sabesp acarretará o esgotamento do reservatório em curto período de tempo, comprometendo não só o abastecimento da Grande São Paulo, mas de todos os municípios da bacia do Piracicaba.
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Nas regiões de Piracicaba e Campinas, segundo ele, muitos municípios já adotaram o racionamento e alguns deles dependem exclusivamente do Sistema Cantareira.
— É necessário estender a medida à Grande São Paulo.
O Gaema acompanha as gestões do PCJ (Comitê de Bacia do Piracicaba, Capivari e Jundiaí) no âmbito de um inquérito civil que discute a renovação da outorga (uso da água) do Sistema Cantareira. De acordo com Castanheiro, não há como ter certeza de que as medidas adotadas até agora serão suficientes para garantir o abastecimento, já que não existe previsão de quando vai terminar o período de estiagem.
— A cada dia que se prorroga a adoção de medidas emergenciais, como o racionamento ou, se preferir, o rodízio, vai piorando o sistema e aumentando o risco de esgotamento.
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A posição do Gaema também é contrária ao uso da reserva técnica de água — o chamado volume morto — das represas do Sistema Cantareira, já autorizado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). Segundo ele, caso os reservatórios sejam consumidos integralmente as represas podem levar cinco anos para se recuperarem e muitas cidades vão ficar sem abastecimento. Além de ser uma água com alto teor de sedimentos e de menor qualidade, há suspeita de concentração maior de metais pesados nas águas do fundo dos reservatórios.













