GCM preso sob suspeita de participar de chacina integrava grupo conhecido com 'Caveiras'
Cinco jovens foram encontrados mortos em Mogi dias depois de morte de guarda-civil no ABC
São Paulo|André Caramante, da TV Record, especial para o R7

O guarda-civil preso sob a suspeita de participação no sequestro e assassinato dos cinco jovens encontrados mortos no último domingo (6), em uma mata em Mogi das Cruzes (Grande SP), integrava um grupo de GCMs de Santo André conhecido como “Caveiras”.
O grupo do guarda detido, identificado como Rodrigo Gonçalves de Oliveira, teria esse nome por portar caveiras no coldre das pistolas e na ombreira.
A polícia apura se a execução dos jovens tenha relação com a morte Rodrigo Lopes Sabino, 30 anos, também guarda-civil de Santo André (Grande SP). Sabino era agente de segurança de Oswana Fameli, prefeita em exercício da cidade no ABC paulista.
A suspeita é que os colegas de Sabino atribuíam a morte dele a um dos jovens mortos: Caique Henrique Machado Silva, de 18 anos.
Um grupo de guardas-civis, então, teriam criados falso perfis de mulheres no Facebook para atrair o rapaz a uma festa em Ribeirão Pires (Grande SP), onde ele seria morto.
Em 21 de outubro, Caíque e amigos os César Augusto Gomes Silva, 19 anos, Jonathan Moreira Ferreira, 18, Robson Fernando Donato de Paula, 16, e Jonas Ferreira Januário, 30, deixaram o Jardim Rodolfo Pirani, na zona leste, onde moravam, para participar da festa.
Os cinco jovens foram encontrados mortos em um matagal na Estrada Taquarussu. Os corpos estavam em covas rasas e cobertos com cal (para acelerar o processo de decomposição).
Morte do GCM Sabino
O GCM Sabino foi morto com um tiro na nuca, durante uma tentativa de roubo, por volta das 5h de 24 de setembro, no Jardim Ana Maria (Santo André), quando chegava em casa, na rua Miragaia. Ele havia trabalhado para a Prefeitura de Santo André durante o dia 23 e, à noite e na madrugada, fez “bico” (serviço extra-corporação) como segurança.
Horas depois, o carro do guarda (um Palio Weekend) foi encontrado, em chamas, na rua Flores da Primavera, no Jardim Rodolfo Pirani, distante cerca de 6 km do local do crime contra Sabino. A Flores da Primavera fica a 1 km da casa de um dos cinco jovens encontrados mortos na mata de Mogi das Cruzes.
Em um vídeo gravado por outros guardas civis municipais de Santo André, no local onde o carro de Sabino ainda estava em chamas, um deles disse: “São os demônios daqui [que cometeram o crime]”. Na gravação, é possível ouvir uma comunicação por rádio e a citação do nome Romu 31, que é a Rondas Ostensivas Municipais, um destacamento da Guarda Civil Municipal de Santo André.
O carro usado pelos criminosos que atacaram Sabino também acabou localizado pela polícia após o crime. Era um Fiat Uno, de cor escura, registrado em nome de um auxiliar de cozinha.
Nesta quarta-feira (9), familiares de um dos cinco jovens afirmaram aos investigadores do caso que ele passou a ser ameaçado recentemente pelo parente de um GCM.
A suspeita dos investigadores do DHPP e da Corregedoria da Polícia Militar é que PMs e GCMs possam ter formado um grupo de extermínio para vingar a morte do guarda Sabino, exatamente como ocorreu em agosto de 2015 nas cidades de Osasco, Barueri, Itapevi e Carapicuíba, na Grande São Paulo. Ao todo, entre os dias 8 e 13 de agosto de 2015, 32 pessoas foram mortas nas cinco cidades, em 23 casos distintos, que também deixaram nove feridos.
Para o governo de São Paulo, 25 dessas 32 pessoas foram mortas em 14 atentados que foram retaliações pelos assassinatos do cabo da PM Ademilson Pereira de Oliveira, em 7 de agosto, e de Jefferson Luiz Rodrigues da Silva, GCM de Barueri, em 12 de agosto de 2015. Nesses mesmos 14 atentados (quatro em 08 de agosto e dez no dia 13), outras sete vítimas foram feridas a tiros.













