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Gil Rugai entra pela porta dos fundos em terceiro dia de júri

Acusado de matar o pai e a madrasta em 2004, réu diz ser inocente

São Paulo|Vanessa Sulina, do R7

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Nos dois primeiros dias, Rugai chegou ao fórum ao lado da mãe e dos advogados
Nos dois primeiros dias, Rugai chegou ao fórum ao lado da mãe e dos advogados

Acusado de matar o pai e madrasta em 2004, Gil Grego Rugai, de 29 anos, entrou pela porta dos fundos do Fórum Criminal da Barra Funda, zona oeste de São Paulo, na manhã desta quarta-feira (20), terceiro dia de julgamento do caso. Segundo a defesa, o objetivo é preservar o réu, que estaria cansado.

O ex-sócio de Rugai, Rudi Otto, e outro vigia da rua onde o crime aconteceu, Francisco Luiz Valério Alves, estão entre as testemunhas previstas para serem ouvidas hoje. De acordo com o assistente da promotoria, Ubirajara Mangini K. Pereira, Otto vai falar sobre o comportamento “esquisito” de Rugai.


Pereira contou que Otto foi arrolado como uma segunda testemunha do juiz Adilson Paukoski Simoni, após a defesa abrir mão de seu depoimento e a acusação considerá-lo importante no júri.

Veja fotos do segundo dia do júri


Defesa tenta tirar Gil Rugai do foco em julgamento

Entre as testemunhas da defesa que serão ouvidas nesta quarta-feira está também o irmão do réu, Léo Rugai. Para o assistente da acusação, o depoimento dele não deve abalar os jurados.


— O Léo, desde o início, alega que o irmão é inocente, mas acredito que os jurados não devem se sensibilizar com isso. O fato de Léo não ter retirado o irmão do inventário é uma questão dele. A verdade é o que está no processo.

A expectativa do Tribunal de Justiça de São Paulo é de que todas as testemunhas sejam ouvidas ainda hoje. Caso isso aconteça, amanhã será a vez de Gil Rugai ser interrogado. Esse será o último ato processual antes dos debates, que duram uma hora e meia. Se o promotor decidir pela réplica, a defesa tem direito à tréplica. Nesta etapa, cada lado dispõe de uma hora.


Ao final, os jurados se reúnem em uma sala secreta para decidir se Gil Rugai é inocente ou não. Depois da votação, o juiz estipula a pena do réu e dá sua sentença final.

Relembre o caso

O publicitário Luiz Carlos Rugai, 40 anos, e sua mulher, Alessandra de Fátima Troitino, 33 anos, foram assassinados a tiros dentro da casa onde moravam em Perdizes, zona oeste de São Paulo no dia 28 de março de 2004.

Alessandra foi baleada cinco vezes na porta da cozinha, segundo laudo da perícia. Luiz Carlos teria tentado se proteger na sala de TV. A pessoa que entrou no imóvel naquela noite arrombou a porta do cômodo com os pés e disparou quatro vezes contra o publicitário.

O comportamento aparentemente frio de Gil Rugai, na época com 20 anos, ao ver o pai e a madrasta mortos chamou a atenção da polícia, que passou a suspeitar dele.

Os peritos concluíram que a marca encontrada na porta arrombada era compatível com o sapato de Rugai, que, ao ser submetido pela Justiça a radiografias e ressonância magnética, teria apresentado lesão no pé direito.

Na mesma semana do duplo homicídio, os policiais encontraram no quarto do rapaz um certificado de curso de tiro e um cartucho 380 deflagrado, o mesmo calibre da arma usada no assassinato do casal.

As investigações apontaram ainda que ele teria dado um desfalque de R$ 228 mil na empresa do pai, a Referência Filmes, falsificando a assinatura do publicitário em cheques da firma. Poucos dias antes do assassinato, ele foi expulso de casa.

Um ano e três meses após o duplo homicídio, uma pistola foi encontrada no poço de armazenamento de água de chuva do prédio onde o rapaz tinha escritório, na zona sul. Segundo a perícia, seria a mesma arma de onde partiram os tiros que atingiram as vítimas.

Rugai responde pelo crime em liberdade e é julgado por duplo homicídio qualificado por motivo torpe.

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