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Haddad já admite dar área perto de Itaquerão para famílias de sem-teto

Integrantes do MTST ocuparam terreno a 4 km da Arena Corinthians, na zona leste

São Paulo|Do R7

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Grupo quer moradia popular após especulação imobiliária na região
Grupo quer moradia popular após especulação imobiliária na região

A gestão Fernando Haddad (PT) já negocia com o governo federal a construção de moradias populares no terreno onde o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) promove, desde o início do mês, a ocupação Copa do Povo, a 4 km da Arena Corinthians, na zona leste da capital. A emenda que permitirá com que a área de 150 mil m² seja classificada como uma Zeis (Zona Especial de Interesse Social) deve ser entregue pelo Executivo aos vereadores na próxima semana.

Nesta quarta-feira (28), moradores sem-teto protestaram na frente do prédio da Câmara Municipal, no centro de São Paulo, para exigir dos parlamentares a aprovação da emenda. A entidade também pressionou pela votação definitiva do novo Plano Diretor, segundo o coordenador do MTST, Guilherme Boulos, que foi recebido pela Presidência da Casa.


— Nós queremos uma data para essa votação e também para a apresentação da emenda. Nada fora disso.

Os líderes do MTST destacaram que, se não houver a votação da proposta até o dia 12, haverá mais "gente sem ingresso" às portas do estádio de abertura da Copa.


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Ao mesmo tempo em que exige a desapropriação do terreno da zona leste, que é particular, Boulos trabalha para que a área seja considerada apta a receber empreendimentos do programa Minha Casa Minha Vida Entidades — o pedido foi feito pessoalmente à presidente Dilma Rousseff (PT). Nesse modelo, os próprios movimentos de moradia comandam a obra, a partir de repasses federais. Os associados mais assíduos, que frequentam reuniões e participam de manifestações, ganham preferência na hora do sorteio.

Oficialmente, a base aliada do prefeito Haddad confirma apenas que estuda a possibilidade de atender a mais essa demanda do MTST — na primeira votação do plano, o movimento conseguiu reservar 30% de um terreno na zona sul para a construção de habitação social. Nos bastidores, porém, a emenda é dada como certa e a dúvida diz respeito apenas ao porcentual do terreno que será considerado de interesse social.


Para obter o apoio da base e garantir a aprovação em plenário, a gestão Haddad ainda terá de ceder a outros interesses, desta vez de vereadores. Muitos exigem do relator do projeto, Nabil Bonduki (PT), a criação de Zeis em seus redutos eleitorais, além da garantia de reserva de terrenos para creches e unidades de saúde. Diante de tantas demandas, o petista já afirmou que apresentará um texto substitutivo.

Presidente da Comissão de Política Urbana, o vereador Andrea Matarazzo (PSDB) afirmou que o governo terá dificuldades em aprovar a emenda.

— Não se pode mudar o texto a toda hora de acordo com pressões. Isso compromete toda a seriedade do processo e pode até fazer o novo Plano Diretor parar na Justiça.

Assembleia

A Copa do Povo ainda motivou uma reunião nesta quarta-feira na Assembleia Legislativa, envolvendo prefeitura, Estado, Secretaria-Geral da Presidência da República, Caixa Econômica Federal, empresa Viver (dona do terreno invadido) e MTST. Segundo Boulos, o objetivo era avançar nas negociações sobre o destino do terreno em Itaquera.

— A conclusão a que chegamos hoje é que o destino deles depende ainda da votação do Plano Diretor. Nós temos a sinalização dada hoje pela presidente da Câmara de que a votação deve ocorrer no máximo no dia 11 de junho.

Há pressa na decisão porque para o dia 16 está marcada uma audiência na Justiça sobre a decisão de reintegração de posse do terreno.

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