Homicídios motivam 2 em cada 100 internações na Fundação Casa
O crime que tem mais ocorrência entre menores é o roubo qualificado, com 43% dos casos
São Paulo|Giorgia Cavicchioli, do R7

De acordo com o mais recente boletim estatístico da Fundação Casa, 221 adolescentes entre 12 e 18 anos cometeram homicídios. Esse número representa 2% de total de crimes cometidos pelos jovens que representa, ao todo, 9.545 casos.
De acordo com o integrante do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoal Humana) Ariel de Castro Alves, a maioria dos assassinatos cometidos por menores acontecem em decorrência de roubos que deram errado e por consequência do uso e tráfico de drogas.
— Tem casos de latrocínios em que existe uma reação por parte da vítima ou casos de jovens que praticam o crime de roubo também depois de terem consumido álcool e drogas, o que gera uma instabilidade emocional que pode gerar um latrocínio. Mas são casos excepcionais. Não ocorrem de forma corriqueira.
Os dados do levantamento de 14 de julho deste ano mostram que o crime que tem mais ocorrência entre menores é o roubo qualificado, com 43% dos casos. Tráfico de drogas, representa 38%.
Para o advogado, esses crimes estão relacionados ao consumismo que é incentivado por propagandas e músicas de funk ostentação, por exemplo. Ele diz que os jovens praticam roubos para adquirir bens materiais e que o envolvimento com o tráfico também é para conseguir dinheiro e comprarem relógios, celulares e roupas de marca.
— Pregam que esses adolescentes só são reconhecidos na sociedade se tiverem determinados bens. Mas esses assuntos não são tratados. Esse consumismo poderia ser enfrentado com uma melhor orientação por parte dos pais e das escolas.
Como os jovens não têm condições de adquirirem esses bens e os pais também são muito pobres, os adolescentes optam pela criminalidade para serem aceitos na sociedade. O advogado explica que essas pessoas encontram dificuldade no ingresso no mercado de trabalho. Além disso, ele diz que, diante da falta de programas públicos que direcionem o jovem, ele acaba se entregando à criminalidade.
— Também tem a questão da dependência de drogas. É necessário um tratamento que, muitas vezes, a família não tem dinheiro para pagar. Além disso, é fundamental a melhor qualidade do ensino. Muitos jovens acabam desistindo da escola porque ela não é atrativa e não tem tratamento individualizado. Adolescentes acabam sendo vítima de preconceito, são expulsos...
Para ele, é importante que existam oportunidades de ensino técnico e profissionalização para os adolescentes. Assim, eles estariam preparados para o mercado de trabalho e também para vagas de aprendizes e estagiários.
— Além disso, é preciso que tenham locais na periferia que funcionem no período em que o adolescente não está na escola. Para que ele tenha espaços, locais e centros comunitários para estar integrado a atividades culturais e esportivas que poderiam tirar ele de uma situação de ociosidade.
Recentemente, duas crianças de 10 e 11 anos foram mortas pela Polícia Militar e pela Guarda Municipal. O que trouxe à tona a discussão sobre o preparo dos agentes de segurança para lidar com jovens que se envolvem em crimes. De acordo com o advogado, é evidente que crianças e adolescentes “são mais vítimas de assassinatos do que autores de crimes graves” e que eles precisam ser mais incluídos na sociedade para que os crimes cometidos por jovens reduzam.
— Isso não é resolvido com a redução da maioridade penal. Porque se reduz para 16 anos, eles vão usar jovens de 15, 14...















