Julgamento de PMs acusados pelo massacre do Carandiru entra no quarto dia
Previsão é de que júri termine até esta sexta-feira
São Paulo|Do R7

Começa na manhã desta quinta-feira (1º) o quarto dia de julgamento dos 27 policiais militares acusados de participação na morte de 73 presos no episódio conhecido como massacre do Carandiru. O júri começou na segunda-feira (29) e deve terminar amanhã.
Na quarta-feira (31), 18 réus que seriam interrogados preferiram ficar em silêncio. Todos afirmaram que são inocentes e que receberam orientações da advogada, Ieda Ribeiro de Souza, para ficarem calados. Apesar disso, a acusação fez perguntas.
O primeiro réu a ser ouvido ontem foi o coronel da Polícia Militar Valter Alves de Mendonça. Seu interrogatório durou aproximadamente três horas. A testemunha destacou em várias ocasiões “não se lembrar” de detalhes. Ele, inclusive, renegou declarações dadas por ele durante uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre o massacre em outubro de 1992, na Casa de Detenção.
Ainda na quarta-feira, foi ouvido o major Marcelo González Marques, que era tenente na época do massacre do Carandiru. Ele afirmou durante interrogatório que os policiais militares que invadiram a Casa de Detenção foram recebidos a tiros no 3º pavimento (2º andar). Ele disse ainda que não houve diparos, por parte dos PMs em direção às celas.
De acordo Marques, os policiais receberam aval do secretario de Segurança Púbica para que a PM adentrasse no presídio. Ele afirmou que havia informações de que os presos portavam armas brancas e de fogo e que poderiam portar agulhas e sacos com sangue ou urina de portadores do vírus HIV.
Primeiro dia
O primeiro dia foi marcado pela dispensa de sete das oito testemunhas da acusação. Apenas o perito criminal Osvaldo Negrini foi interrogado. Ele disse ter visto um “mar de cadáveres” e presenciado um “rio de sangue” ao chegar à Casa de Detenção no dia 2 de outubro de 1992. O depoimento de Negrini começou por volta das 14h10 e terminou pouco depois das 16h30.
Segundo dia
No segundo dia do júri, os jurados ouviram no plenário o ex-secretário de Segurança Pedro Franco de Campos e o ex-governador Luiz Antônio Fleury Filho. Além deles, mais duas testemunhas protegidas prestaram depoimento.
A defesa ainda exibiu dois vídeos com depoimentos dos desembargadores Luiz San Juan França e Ivo de Almeida. França era juiz da Vara das Execuções Criminais da Capital em 1992, ano em que 111 detentos da então Casa de Detenção de São Paulo foram mortos após a entrada da Tropa de Choque da Polícia Militar para conter uma rebelião na unidade prisional. Já Almeida era corregedor dos Presídios da Capital na época dos fatos.
Relembre o caso
O massacre do Carandiru começou após uma discussão entre dois presos dar início a uma rebelião no Pavilhão 9. Com a confusão, a Tropa de Choque da Polícia Militar, comandada pelo coronel Ubiratan Guimarães, foi chamada para conter a revolta. A ação deixou 111 mortos. Ao todo, 286 policiais militares entraram no Complexo Penitenciário do Carandiru para conter a rebelião em 1992, desses 84 foram acusados de homicídio.
Em abril de 2013, 26 policiais militares foram levados ao banco dos réus pela morte de 15 detentos no segundo pavimento do pavilhão nove no massacre do Carandiru. Após sete dias de julgamento, a maioria foi condenada por homicídio qualificado — com uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Naquela ocasião, seis homens e uma mulher formaram o Conselho de Sentença.
Dos 26 policiais, 23 foram condenados a 156 anos de prisão, inicialmente, em regime fechado. Os réus receberam a pena mínima de 12 anos por cada uma das mortes dos 13 detentos. Os condenados poderão recorrer em liberdade. Outros três PMs foram absolvidos pelo júri, que acatou o pedido feito pela acusação.
Antes deles, Ubiratan Guimarães chegou a ser condenado a 632 anos de prisão, porém, um recurso absolveu o réu e ele não chegou a passar um dia na cadeia.
Em setembro de 2006, Guimarães foi encontrado morto com um tiro na barriga em seu apartamento nos Jardins. A ex-namorada dele, a advogada Carla Cepollina, foi a julgamento em novembro do ano passado pelo crime e absolvida.
Dezessete testemunhas foram convocadas. Onze de acusação e seis de defesa. Do total, 12 eram aguardadas no tribunal, enquanto as outras cinco teriam vídeos dos seus depoimentos apresentados no plenário.













