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Julgamento do caso Carandiru pode entrar no fim de semana

Segundo TJ, a previsão é que dure, no mínimo, uma semana e não pode ser interrompido

São Paulo|Do R7

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Julgamento começou nesta segunda-feira após ter sido adiado na semana passada
Julgamento começou nesta segunda-feira após ter sido adiado na semana passada

O julgamento do caso Carandiru está previsto para durar, no mínimo, uma semana, segundo informação da assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. O plenário está reservado para duas semanas. Se não terminar até sexta-feira (19), o júri entrará no fim de semana, pois não pode ser interrompido.

O júri de 26 policiais militares começou nesta segunda-feira (15). Eles são acusados de participação em um dos episódios mais violentos do sistema prisional brasileiro, conhecido como o “massacre do Carandiru”.Iniciado na segunda-feira passada (8), o júri foi adiado após uma jurada passar mal. Inicialmente, 28 PMs deveriam ser julgados pela ação no 2º pavimento, mas dois morreram.


Eles respondem por homicídio qualificado — com uso de recurso que dificultou a defesa da vítima — de 15 detentos durante a ação policial realizada no dia 2 de outubro de 1992 para conter uma rebelião da Casa de Detenção em São Paulo. Ao todo, 111 presos foram mortos.

A acusação será feita pelos promotores de Justiça Fernando Pereira da Silva e Márcio Friggi. Já a defesa dos 26 réus ficará sob a responsabilidade de uma mulher, a advogada Ieda Ribeiro de Souza. Segundo a defensora, 286 policiais militares entraram no complexo penitenciário do Carandiru durante o episódio. Desses, 84 foram acusados de homicídio. Desde 1992, cinco morreram e agora restam 79 para serem levados a julgamento.


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No júri desta segunda-feira serão réus os PMs que estavam no 2º pavimento (primeiro andar) do pavilhão nove. São eles: Ronaldo Ribeiro dos Santos; Aércio Dornelas Santos; Wlandekis Antonio Candido Silva; Roberto Alberto da Silva; Antonio Luiz Aparecido Marangoni; Joel Cantilio Dias; Pedro Paulo De Oliveira Marques; Gervásio Pereira dos Santos Filho; Valter Ribeiro Da Silva (morto); Marcos Antonio De Medeiros; Luciano Wukschitz Bonani (morto); Paulo Estevão De Melo; Haroldo Wilson De Mello; Roberto Yoshio Yoshikado; Fernando Trindade; Salvador Sarnelli; Argemiro Cândido; Elder Tarabori; Antonio Mauro Scarpa; Marcelo José De Lira; Roberto Do Carmo Filho; Zaqueu Teixeira; Osvaldo Papa; Reinaldo Henrique De Oliveira; Sidnei Serafim Dos Anjos; Eduardo Espósito; Maurício Marchese Rodrigues; Marcos Ricardo Poloniato.


Os próximos, que ainda não foram marcados, julgarão os que ocupavam o 3º pavimento (78 mortos, sendo que um único policial responde pela morte de cinco e será julgado separadamente), o 4º pavimento (oito mortos) e o 5º pavimento (dez mortos).

O juiz José Augusto Nardy Marzagão, da vara do júri de Santana, chegou a marcar o julgamento para o dia 28 de janeiro de 2013, mas devido a uma perícia de confronto balístico (exame que determina de quais armas partiram os tiros), prova solicitada pela defesa, teve que ser remarcado para a semana passada.

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Durante o julgamento, serão ouvidas seis testemunhas de acusação e dez de defesa. Os representantes do Ministério Público convocaram o perito do Instituto de Criminalística que atuou na perícia do presídio, um agente de segurança e quatro ex-presos — todos detidos no pavilhão nove, sendo que alguns estavam no 2º pavimento no dia da tragédia.

Já a advogada dos réus contará com os depoimentos do governador de São Paulo na época, Luiz Antônio Fleury Filho, o ex-secretário de Segurança Pública, Pedro Franco, coronéis da PM, funcionários públicos que participaram direta ou indiretamente da ação e três desembargadores que em 1992 eram juízes da vara de execução penal de São Paulo.

Relembre o caso

O massacre do Carandiru começou após uma discussão entre dois presos dar início a uma rebelião no pavilhão nove. Com a confusão, a tropa de choque da Polícia Militar, comandada pelo coronel Ubiratan Guimarães, foi chamada para conter a revolta.

Ao todo, 286 policiais militares entraram no complexo penitenciário do Carandiru para conter a rebelião em 1992, desses 84 foram acusados de homicídio. Desde aquela época, cinco morreram e agora restam 79 para serem levados a julgamento. 

Até hoje, apenas Ubiratan Guimarães chegou a ser condenado a 632 anos de prisão, porém um recurso absolveu o réu e ele não chegou a passar um dia na cadeia. Em setembro de 2006, Guimarães foi encontrado morto com um tiro na barriga em seu apartamento nos jardins. A ex-namorada dele, a advogada Carla Cepollina, foi a julgamento em novembro do ano passado pelo crime e absolvida.

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