Logo R7.com
RecordPlus

Julgamento do massacre do Carandiru é retomado com apresentação de vídeos e a leitura de peças

Nesta sexta-feira, estão previstos os debates entre a defesa e os promotores

São Paulo|Da Agência Brasil

  • Google News
Episódio deixou 111 mortos e ficou conhecido como massacre do Carandiru
Episódio deixou 111 mortos e ficou conhecido como massacre do Carandiru

Após um intervalo de uma hora, determinado pelo juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo com o fim do interrogatório do tenente-coronel Salvador Modesto Madia, o julgamento do Massacre do Carandiru foi retomado na noite desta quinta-feira (1º) com a apresentação de um vídeo que apresenta reportagens jornalísticas sobre o massacre. Depois ainda deverá ser apresentado um outro vídeo e será feita a leitura de peças (documentos, laudos ou depoimentos de pessoas sobre o caso).

Nesta sexta-feira (2) estão previstos os debates entre a defesa e os promotores. Em seguida, os sete jurados irão se reunir para decidir se condenam ou absolvem os policiais. A previsão é que o resultado do julgamento seja divulgado durante a madrugada de sábado (3).


Esta é a segunda etapa do julgamento, onde 25 policiais militares são acusados pela morte de 73 detentos que ocupavam o terceiro pavimento (ou segundo andar) do Pavilhão 9 da Casa de Detenção Carandiru. Na primeira etapa do julgamento, que foi desmembrado em quatro etapas, 23 policiais militares, também todos da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), foram condenados pela morte de 13 detentos, ocorrida no segundo pavimento.

Toda a ação para reprimir a rebelião no Carandiru, em 1992, resultou em 111 detentos mortos e 87 feridos. O episódio é considerado como o maior massacre do sistema penitenciário brasileiro.


Primeiro dia

primeiro dia de julgamento foi marcado pela dispensa de sete das oito testemunhas da acusação. Apenas o perito criminal Osvaldo Negrini foi interrogado. Ele disse ter visto um “mar de cadáveres” e presenciado um “rio de sangue” ao chegar à Casa de Detenção no dia 2 de outubro de 1992. O depoimento de Negrini começou por volta das 14h10 e terminou pouco depois das 16h30.


Segundo dia

No segundo dia do júri, foram ouviram no plenário, o ex-secretário de Segurança Pedro Franco de Campos e o ex-governador Luiz Antônio Fleury Filho. Além deles, mais duas testemunhas protegidas prestaram depoimento.


A defesa ainda exibiu dois vídeos com depoimentos dos desembargadores Luiz San Juan França e Ivo de Almeida. França era juiz da Vara das Execuções Criminais da Capital em 1992. Já Almeida era corregedor dos Presídios da Capital na época.

Terceiro dia

O terceiro dia do júri começou com atraso, por volta das 11h50 da quarta-feira (31) — estava previsto para começar às 9h — e terminou às 2h30 da madrugada desta quinta-feira, depois de 15 horas de julgamento. Para este dia, foi programado o interrogatório dos 26 réus. Em uma estratégia da defesa, a maioria optou pelo direito de ficar em silêncio.

Só quatro oficiais responderam às perguntas. O último a ser ouvido, de madrugada, foi o tenente Edson Pereira Campos, que era soldado na ocasião dos fatos.

Relembre o caso

O massacre do Carandiru começou após uma discussão entre dois presos dar início a uma rebelião no Pavilhão 9. Com a confusão, a Tropa de Choque da Polícia Militar, comandada pelo coronel Ubiratan Guimarães, foi chamada para conter a revolta.

Ao todo, 286 policiais militares entraram no complexo penitenciário do Carandiru para conter a rebelião em 1992, desses 84 foram acusados de homicídio.

Após Carandiru, massacre continua atrás dos muros das prisões, diz Pastoral Carcerária

Em abril de 2013, 26 policiais militares foram levados ao banco dos réus pela morte de 15 detentos no segundo pavimento do pavilhão nove no massacre do Carandiru. Após sete dias de julgamento, a maioria foi condenada por homicídio qualificado — com uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Naquela ocasião, seis homens e uma mulher formaram o Conselho de Sentença.

Dos 26 policiais, 23 foram condenados a 156 anos de prisão, inicialmente, em regime fechado. Os réus receberam a pena mínima de 12 anos por cada uma das mortes dos 13 detentos. Os condenados poderão recorrer em liberdade. Outros três PMs foram absolvidos pelo júri, que acatou o pedido feito pela acusação.

Antes deles, Ubiratan Guimarães chegou a ser condenado a 632 anos de prisão, porém, um recurso absolveu o réu e ele não chegou a passar um dia na cadeia. Em setembro de 2006, Guimarães foi encontrado morto com um tiro na barriga em seu apartamento nos Jardins. A ex-namorada dele, a advogada Carla Cepollina, foi a julgamento em novembro do ano passado pelo crime e absolvida.

Dezessete testemunhas foram convocadas. Onze de acusação e seis de defesa Do total, 12 eram aguardadas no tribunal, enquanto as outras cinco teriam vídeos dos seus depoimentos apresentados no plenário. Entre elas, estão o ex-governador de São Paulo Luiz Antônio Fleury Filho e o secretário de Segurança na época do massacre, Pedro Franco de Campos.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.