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Líder do MPL defende Black Blocs e diz que ações do grupo para a Copa "vão espantar muita gente"

Movimento vê “tática” de vandalismo como resposta à repressão do Estado

São Paulo|Thiago de Araújo, do R7

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MPL foi a principal liderança dos protestos de junho e julho
MPL foi a principal liderança dos protestos de junho e julho EVELSON DE FREITAS/ESTADÃO CONTEÚDO

A possível presença de grupos de mascarados intitulados Black Blocs nos atos desta semana não preocupa as lideranças do MPL (Movimento Passe Livre). A tese do coletivo, que luta pela tarifa zero e pela gestão do transporte público a partir das necessidades da população, é de que todo protesto popular é digno e há muitas interpretações equivocadas sobre os Black Blocs.

Umas das líderes do MPL, que pediu para não ser identificada, disse que a mídia exagera ao noticiar as ações do grupo, que faz uso de depredações como forma de protesto.

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— Acho que perto do que os bancos fazem contra a gente, quebrar uma agência ou outra é um perfume. Agora, a gente acredita em qualquer forma de manifestação. Essa situação que a mídia tem colocado é um grande engodo. A mídia tenta dramatizar o que é protestar e como não interferir no interesse do capital. Entendo que vandalismo é o que o Estado faz todos os dias com as pessoas, é o que a polícia faz todos os dias na periferia, é o sistema carcerário que a gente tem hoje. Se for falar em vandalismo, vamos falar que todos são vândalos.

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As atitudes de violência do grupo de mascarados ganharam maior projeção durante os protestos nos últimos meses no Rio de Janeiro, onde a “tática Black Bloc” ajudou na defesa da população contra a repressão policial, que seria pouco questionada.

— O Black Bloc não é um grupo organizado, é uma tática de segurança acima de tudo porque a polícia vem preparada para uma guerra. Muitos companheiros no Rio viveram uma situação emblemática nesse sentido, já que lá foi feita uma defesa pública [por parte dos Black Blocs] aos manifestantes, de tentar afastar as bombas, se proteger da polícia. Aí todo mundo fala que os Black Blocs são isso e aquilo, mas ninguém pergunta o que é a polícia? Quem policia a polícia? A polícia mata gente todo dia, é o Amarildo que sumiu e só agora deram resposta, e ninguém fala nada.

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Copa do Mundo

A perspectiva de poucas mudanças já faz o MPL olhar adiante, mais precisamente para a Copa do Mundo de 2014, evento que acontece na metade do próximo ano em 12 capitais brasileiras.

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Os líderes do coletivo já possuem algumas perspectivas quanto a como, quando e de que forma serão essas grandes manifestações, mas por ora preferem manter os detalhes em sigilo. O fato é que o grupo diz que não ficará parado durante a competição da Fifa no País.

— A Copa vem aí e não vai ter Copa. Depois nós vamos tornar as coisas públicas, mas por ora a previsão é que a sociedade dirá não à Copa. É uma coisa que vai espantar muita gente. A Copa vai ser pra quem? Esse monte de obra para um monte de estruturas que não atendem às demandas da população, que trabalha para financiar essa joça (...) É preciso pensar em ações diretas mesmo porque o Estado é cheio de leis muito bem pensadas para blindar a burguesia. Quem construiu essa máquina toda foi quem desmoronou esse País. Não é um Estado popular.

Lucro dos empresários

Recentemente, a Prefeitura de São Paulo e o governo estadual tomaram atitudes para poder “congelar” a tarifa do transporte público em R$ 3 para 2014. No município, o prefeito Fernando Haddad colocou na proposta de orçamento encaminhada à Câmara Municipal o aumento do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). Já o governador Geraldo Alckmin sugeriu um plano de demissões voluntárias no Metrô para enxugar a folha e não ser preciso aumentar o preço da tarifa.

Para o MPL, as medidas não surpreendem e só reforçam a tese de que o lucro privado está acima dos interesses populares.

— A grande questão nesse País, que não é nova, é não mexer no lucro dos empresários, a população que se lasque. Em julho, tinha muito o discurso de que seria tirado dinheiro da Educação e da Saúde [com o congelamento da tarifa], como se Oderbrecht e outras não ganhassem rios de dinheiro com a especulação imobiliária e outros negócios. Então tira do povo, se for pra tirar de alguém. É uma coisa sacrossanta, ninguém pode mexer no lucro dos empresários.

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