Mãe afirma que filho foi executado por PMs ao empinar moto em SP
Garoto tinha 17 anos e foi morto por policiais enquanto fazia manobras com sua moto em Itapevi. Polícia diz que o caso está sendo investigado
São Paulo|Márcio Neves, do R7, com Marcos Rosendo, da Agência Record

Samuel Duarte dos Santos Fernandes, 17 anos, foi morto por dois tiros disparados por policiais militares quando fazia manobras com sua motocicleta na companhia de amigos em uma estrada em Itapevi, na Grande São Paulo, em 17 de dezembro. Cláudia Duarte, mãe do jovem diz que seu filho foi executado pelos policiais.
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Segundo o Boletim de Ocorrência, os PMs afirmaram que o jovem estava armado e atirou quando percebeu a chegada da polícia. Com o jovem teria sido encontrado um revolver calibre 38 enferrujado.
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Samuel foi atingido por um tiro na nádega e outro nas costas, que atravessou o corpo e saiu pelo peito, matando o rapaz na hora.
Cláudia também afirma que o filho tinha marcas de agressão e que quando chegou ao local do ocorrido, não havia nenhuma arma próximo do filho.
A mãe de Samuel afirma ainda que ele não tinha passagem pela polícia, estudava e que a moto que ele pilotava foi comprada por ela como um presente para o filho —mesmo sabendo que o filho só poderia tirar habilitação quando completasse 18 anos.
A Polícia Militar informou por meio de nota que as circunstâncias da morte estão sendo apuradas. O R7 também tentou entrar em contato com os policias militares envolvidos na ocorrência, mas não conseguiu contato.
A SSP-SP (Secretaria se Segurança Pública de São Paulo) afirmou que "os policiais militares envolvidos na ocorrência foram ouvidos e a mãe do rapaz também prestará depoimento. Diligências estão em andamento para localizar testemunhas e esclarecer os fatos. O batalhão da área também apura o caso por meio Inquérito Policial Militar".
O caso foi registrado na delegacia de Itapevi como morte decorrente de oposição a intervenção policial.
Homenagem e revolta
Cláudia Duarte, mãe do jovem, não se conforma com a perda do filho. "Mataram um inocente, ele nunca fez mal para ninguém, ele tinha só 17 anos e sonhava em fazer faculdade de direito", diz ela.
Samuel, que segundo a mãe adorava andar de moto, também foi homenageado pelos amigos, que aceleravam suas motos instantes antes do sepultamento, em 20 de dezembro, no cemitério de Itapevi.
Ainda segundo Cláudia, o filho era um menino tranquilo e havia se formado no ensino médio dois dias antes de sua morte. "Ele não usava droga, era um menino alegre, de dia ele entreva marmitex e a noite entregava pizza", afirmou.













