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Máfia do ISS vai devolver até R$ 4 bilhões à prefeitura

Além de quadrilha de fiscais, MPE investiga 410 empresas suspeitas de colaborar com esquema

São Paulo|Do R7

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Entre os bens adquiridos com o desvio de dinheiro está uma pousada em Visconde de Mauá (RJ) e carros de luxo
Entre os bens adquiridos com o desvio de dinheiro está uma pousada em Visconde de Mauá (RJ) e carros de luxo

O MPE (Ministério Público Estadual) estima que os envolvidos na máfia do ISS (Imposto sobre Serviço) terão de pagar até R$ 4 bilhões aos cofres públicos, entre ressarcimento dos tributos sonegados e multas sobre os valores de propinas, caso todos sejam condenados. Além dos fiscais da Secretaria Municipal de Finanças acusados de formar a quadrilha, o MPE investiga 410 empresas suspeitas de colaborar com o esquema.

A Promotoria do Patrimônio Público e Social instaurou 440 inquéritos civis por causa da máfia — é tida como a maior investigação da história do MPE em número de investigados. A máfia dos fiscais da Prefeitura na década de 1990 tinha cerca de cem suspeitos. Os procedimentos apuram improbidade administrativa.

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Os inquéritos foram divididos de maneira igual entre os dez promotores que atuam na área, cada um deles encarregado de 44 investigações. A expectativa, no entanto, é de que os trabalhos duram pelo menos dois anos.

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O promotor Saad Mazloum afirma que o valor a ser ressarcido foi calculado somando três fatores: o total de impostos que deixou de ser pago, que deve ser quitado integralmente; o valor da propina paga aos fiscais — nesse caso, o valor é multiplicado por três, sob forma de multa; e a correção monetária decorrida do momento em que a transação ilícita foi feita e os dias de hoje (o esquema usado pela máfia foi elaborado em 2005, segundo a investigação).

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— Chegamos a R$ 4 bilhões calculando que todas as multas serão pagas pelo valor máximo.

A investigação da Promotoria do Patrimônio é no âmbito civil. Os seis fiscais suspeitos de integrar o bando também são alvo de uma investigação criminal, do Gedec (Grupo Especial de Delitos Econômicos), outro braço do MPE.

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Criminal

Uma diferença entre as duas investigações é que, na esfera criminal, as empresas que pagaram a propina não são responsabilizadas. Podem ser indiciados empresários, sócios ou seus executivos.

A investigação criminal mobiliza também uma força-tarefa, desta vez com a participação da Polícia Civil, para apurar a corrupção nas 410 empresas.

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As comunicações oficiais entre MPE e polícia, no entanto, sofreram um atraso no começo do ano. A expectativa do Gedec era de que, já no fim do ano passado, a Polícia Civil recebesse os processos para investigar as empresas. Esses processos, no entanto, ficaram 60 dias parados e só chegaram à DPPC (Delegacia de Polícia de Proteção à Cidadania), que cuidará do caso, na semana passada.

As empresas citadas passaram a ser suspeitas depois que o promotor do Gedec Roberto Bodini encontrou uma lista de pagamento das empresas ao fiscal Luís Alexandre Cardoso de Magalhães, um dos suspeitos que concordou em colaborar com as investigações. A prefeitura, que primeiro denunciou o esquema, também cobra o imposto sonegado dos suspeitos.

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