Manifestantes fazem "vaquinha" na internet para arrecadar R$ 20 mil de fiança após confronto
Na manhã desta quarta-feira, 13 pessoas permaneciam detidas
São Paulo|Do R7

O MPL (Movimento Passe Livre), que organiza os protestos contra o aumento da tarifa de ônibus em São Paulo, está arrecadando fundos pela internet para pagar a fiança de R$ 20 mil estabelecida para um dos manifestantes detidos na noite dessa terça-feira (11). Ao menos 20 pessoas foram presas durante o protesto na avenida Paulista e na rua da Consolação. Até a manhã desta quarta-feira (12), 13 manifestantes continuavam presos acusados de crime de dano ao patrimônio, lesão corporal, desacato à autoridade e formação de quadrilha, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado.
"O governo de São Paulo acha que vai parar as manifestações com a repressão policial e cobrando fianças de R$ 20mil! Vamos mostrar que nossa solidariedade é maior que todas as celas! Liberdade aos(às) presas políticos(as) do Haddad e tarifa zero já!", diz o movimento na página em que faz a arrecadação.
De acordo com a SSP, uma pessoa que responde por dano ao patrimônio público teve a fiança estabelecida em R$ 20 mil. Outros dois manifestantes presos em flagrante por picharem a lateral do prédio do Tribunal de Justiça e jogarem pedras nos policiais tiveram a fiança fixada em R$ 3.000.
Até às 10h45, o grupo havia arrecado R$ 980 por meio do site Vakinha.com.br, o que equivale a quase 5% do montante necessário. O MPL também disponibilizou, em sua página no Facebook, dados de uma conta bancária para as doações.
Manifestação
Diversos confrontos marcaram o ato que aconteceu na terça-feira. Os manifestantes iniciaram o protesto na região da avenida Paulista com a rua da Consolação e depois caminharam até o centro de São Paulo. Eles entraram em confronto com a Polícia Militar na entrada do terminal Parque D. Pedro 2º, no centro de São Paulo. Um grupo teria tentado — sem sucesso — atear fogo em um ônibus, obrigando passageiros a deixar o coletivo desesperados. A Tropa de Choque jogou bombas de efeito moral e agrediu manifestantes.
Um repórter do portal R7 também foi agredido por um policial militar. Apesar de estar identificado por um crachá, o jornalista Fernando Mellis levou um golpe de cassetete nas costas.
Policiais do BPTran (Batalhão de Trânsito) de São Paulo que acompanharam a manifestação do MPL (Movimento Passe Livre) estimaram um público entre 10 mil e 12 mil manifestantes. Segundo a organização do Movimento Passe Livre, o número chegou a 15 mil.
O gás lacrimogêneo de uma bomba assustou os passageiros que estavam esperando o trem dentro da estação Brigadeiro. Algumas pessoas chegaram a passar mal. O fato aconteceu por volta das 22h. A bomba estava em cima das grades de ventilação da estação que ficam localizadas na avenida Paulista. Com o vento, o gás lacrimogêneo se espalhou e chegou até a plataforma. O local foi fechado por cerca de dez minutos, mas já foi reaberto e os trens voltaram a circular.
Próximo ato
O Movimento Passe Livre promete fazer a quarta manifestação em São Paulo contra o aumento de passagens na próxima quinta-feira (13). Desta vez, a concentração será na frente do Teatro Municipal de São Paulo, às 17h, na capital paulista. O grupo já fechou a Radial Leste, Consolação, 23 de Maio, 9 de Julho, Paulista, Rebouças, Faria Lima e marginal Pinheiros em protestos anteriores.
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