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Marcado por atrasos e suspensão, júri do Carandiru entra em fase final e deve ter desfecho neste sábado

Julgamento chegou a ser suspenso por mais de um dia após jurado passar mal

São Paulo|Do R7

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carandiru Itamar Miranda/Estadão Conteúdo/04.10.1992

Começou na manhã deste sábado (20) o sexto dia do julgamento de 26 PMs acusados de participação no massacre do Carandiru, episódio que terminou com a morte de 111 presos em 1992. Marcado por atrasos para início dos trabalhos durante toda a semana, o júri chegou a ser suspenso por mais de um dia para recuperação de um jurado que apresentou mal estar na manhã de quarta-feira (17).

Às 9h25 deste sábado foi iniciada a fase de debates entre promotoria e defesa. Nesta etapa, cada parte tem três horas para argumentar no plenário. Depois, caso a promotoria peça réplica, a defesa tem direito também a tréplica — de duas horas cada. A expectativa é que a sentença saia ainda nesta tarde.


Iniciado na segunda-feira (15) após ser adiado em uma semana, porque um dos membros do conselho de sentença passou mal no dia 8, 11 testemunhas foram ouvidas – cinco de acusação e seis de defesa. Além disso, houve leitura de peças e exibição de vídeos no plenário e o interrogatório de quatro dos 24 réus presentes – dois não compareceram ao julgamento. Vinte dos acusados manifestaram ao juiz, um a um, que “seguindo recomendações da advogada e para evitar o cansaço dos jurados”, iriam permanecer em silêncio.

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O juiz José Augusto Marzagão questionou todos os réus se eles tinham conhecimento da acusação que pesava sobre eles e perguntou se eram inocentes. Todos disseram que sim. Os 26 são acusados pela morte de 15 presos que estavam no segundo pavimento (primeiro andar) do pavilhão nove do Complexo Penitenciário do Carandiru.

A expectativa do juiz era a de concluir o julgamento ainda na sexta-feira (19), mas diante dos atrasos, da suspensão dos trabalhos e dos constantes intervalos que ocorreram durante as sessões, o júri teve que continuar durante o fim de semana.


Relembre o caso

O massacre do Carandiru começou após uma discussão entre dois presos dar início a uma rebelião no pavilhão nove. Com a confusão, a tropa de choque da Polícia Militar, comandada pelo coronel Ubiratan Guimarães, foi chamada para conter a revolta. Foram mortos 111 detentos.


Ao todo, 286 policiais militares entraram no complexo penitenciário do Carandiru para conter a rebelião em 1992, desses 84 foram acusados de homicídio. Desde aquela época, cinco morreram e agora restam 79 para serem levados a julgamento.

Até hoje, apenas Ubiratan Guimarães chegou a ser condenado a 632 anos de prisão, porém um recurso absolveu o réu e ele não chegou a passar um dia na cadeia. Em setembro de 2006, Guimarães foi encontrado morto com um tiro na barriga em seu apartamento nos Jardins. A ex-namorada dele, a advogada Carla Cepollina, foi a julgamento em novembro do ano passado pelo crime e absolvida.

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